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Frei Rovílio Costa: um mestre a serviço dos livros em tempo integral - Waldomiro Manfroi

16 de novembro de 2016

Na concepção de Paulo Freire, professor não deve se portar como um ente superior que transmite seus conhecimentos.  Ser professor é garimpar, junto aos jovens, caminhos para a construção do conhecimento e a formação de pessoas. Quando não, um provocador, para que os mais jovens aprendam a aprender, a fazer, a conviver e a ser. Assim como se expressava também Claude Bernard (1813 – 1878), fundador da Medicina Experimental e da pesquisa científica na Biologia: “Não é preciso ensinar aos jovens; é preciso ensiná-los a aprender, sobretudo é preciso lançar neles os germes da ciência e da procura, e não os frutos”. E de onde surge esta vontade de ser um multiplicar de ideias e um construtor do conhecimento, um condutor de almas e um construtor de livros, como fez Frei Rovílio Costa? Uns dizem que essas aptidões vêm da vocação, outros referem-se à determinantes da genética biológica, como responsáveis pelo futuro das pessoas. Outras, ainda, reforçam a importância das relações determinadas pela genética social, desde o primeiro olhar da mãe, o conforto da família, as relações nas escolas, os professores. E o que faz um homem nascer e crescer com tantas vocações para se inserir num amplo contexto do mundo dos humanos e dos animais, como aconteceu com  Rovílio Costa? 
Na Faculdade de Educação da UFRGS, na Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes de Porto Alegre, Rovílio foi professor multiplicador, difusor e construtor de saberes. Como Vigário Paroquial em Ipê, Antônio Prado, na Paróquia Sagrada Família de Porto Alegre e na Igreja Maronita Nossa Senhora do Líbano de Porto Alegre foi condutor de almas e consolador de pessoas sofridas. Na Penitenciária Estadual do Jacuí e no Presídio Central de Porto Alegre, como coordenador de grupos e organizador de atividades sociais, religiosas e culturais, ele distribuiu confortos e alentou esperanças.
Na vida acadêmica era reconhecido como professor de Linguística da Faculdade de Educação da UFRGS e pesquisador que publicava, na companhia dos professores de Filosofia, Luis Alberto De Boni e de Olívio Manfroi, livros sobre a imigração italiana no Rio Grande do Sul. E em sua vida privada, o que fazia este singular homem de tantos afazeres e fazeres? Viveria num recolhimento físico e espiritual para recompor as energias? Não. Na intimidade do seu lar, Frei Rovílio Costa descansava publicando livros com sua editora. Milhares de livros. Livros que muitas pessoas que o visitavam podiam admirar manusear, ler e viajar com eles. Conhecer sua biblioteca com seus dez mil volumes era um passeio pelo tempo. Sobre seus gatos dizia: “são meus grandes amigos, me dão tanto, em troca de tão pouco.”
Então, era assim que Frei Rovílio Costa vivia. Onde estivesse não parava de garimpar novos livros e de multiplicar amigos. Com entusiasmo de um jovem, durante anos, publicou centenas de autores desconhecidos. E foram milhares. E todos entendiam a mensagem que deixava como subtexto: publicava pelo prazer de dar oportunidade a autores desconhecidos.
Tive o privilégio de ser um desses afortunados principiantes, quando ele publicou meus dois primeiros romances: "Tempo de viver" e "O último voo".
 
Waldomiro Manfroi
Porto Alegre, 26/09/2016

Academia Rio-grandense de Letras

PATRONOS

CADEIRA 32

Pedro Velho

Pedro de Castro Velho nasceu em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, em 29 de junho de 1879, sendo filho de Francisco Velho e Dulce de Castro Velho. Poeta boêmio nunca teve ocupação certa. Foi um dos mais populares da geração literária de seu tempo em Porto Alegre. Faleceu em Porto Alegre, capital gaúcha, no dia 06 de setembro de 1919.

Bibliografia: Ocasos, versos, Porto Alegre, Livraria Americana, 1906. 2a. Edição com acréscimos, póstuma, Porto Alegre, Globo, 1920. Inéditos e esparsos de Pedro Velho publicados por Walter Spalding...

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