Texto originalmente publicado no Portal Mix em novembro de 2014

 

Quando se usa o sagrado espaço da página de um jornal importante, com milhares de pessoas habituadas à sua leitura frequente, não se pode esquecer – entre tantos outros cuidados - de não maltratar o idioma português, um dos orgulhos que o Brasil assumiu e respeita.

O parágrafo acima nasceu depois de uma dúvida que de repente criei, ao escrever o título da crônica de hoje.

Ocorre que o termo Revoada na grande maioria dos dicionários aos quais tenho acesso, invariavelmente é tratado como “bando de aves que voltam ao sítio de onde partiram”, e até uma concessão ao novo: “fig: agitar-se, nascer, ideias revoavam-lhe na mente...”

Graças ao desenvolvimento das ciências, do conhecimento e das técnicas e segurança da locomoção, cada vez mais cedo as pessoas buscam ampliar o que conheciam do seu próprio país e de sua realidade, até para ver no que podem contribuir para uma melhora, normalmente necessária.

É verdade que também aumenta a curiosidade para ver de perto as grandes atrações que o mundo oferece, e é aí, então, que elas iniciam o que chamo de Revoada, o uso de aviões cada vez mais modernos e seguros, mérito, em boa parte, da persistência e do conhecimento de Alberto Santos Dumont, inventor brasileiro, Pai da Aviação.

Não há como abordar esse assunto sem fazer-se referência ao dia-a-dia da Economia Brasileira e sua luta para figurar entre os maiores do planeta, em tudo o que possa ser medido, calculado, acompanhado e, finalmente, qualificado.

Nessa outra Revoada, incluo a importância da continuação das boas ideias que um Governo cria - e às vezes inicia a construção - e o próximo Governo deixa de lado, quase em uma declaração de “o que passou, passou”.

Os exemplos são muitos. O caso mais típico do Brasil, a esse respeito, é o abandono ao qual as estradas de ferro e as hidrovias (!) foram entregues e o consequente carimbo de “ultrapassadas" que nossa economia nelas colocou, sem considerar que o mundo inteiro trata esses dois modais como vias de obrigatório transporte das cargas mais pesadas, o que transforma as duas modalidades - hidrovia e ferrovia - na grande garantia da redução de acidentes de trânsito, pela recomendação de seu uso em locais afastados e mais específicos.

Um país 7 vezes menor que o RS – a Holanda, ou Países Baixos - tem o maior porto do mundo em movimento e geração de divisas e, com ele, até o ano passado (dado oficial) a cidade de Roterdam manteve o volume de mercadorias e o somatório de fretes por ali transportados, superior a todos os portos brasileiros.

O recente passo do Governo Brasileiro, ao anunciar Licitações para a construção de Estradas de Ferro foi uma boa iniciativa, capaz de despertar quem estava, há muito tempo, considerando as Vias Ferroviárias superadas.

Como permanecer entre os 6 maiores na Economia do Mundo, se não estamos entre os 15 maiores no que diz respeito a aerovias, ferrovias e hidrovias? Mas figuramos entre os primeiros em acidentes e mortes no trânsito?

No gauchão, vai se levando.

Mas na Copa do Mundo, os 7 gols da Alemanha falaram mais alto!