Texto originalmente publicado no Portal Mix em novembro de 2014

 

Nos primeiros dias do próximo ano, serão completadas as três décadas que marcam o dia em que o Brasil foi impedido de sediar a Copa do Mundo de 1986, pelo simples fato de que os estádios existentes no país, à época, não atendiam à qualificação exigida, tanto no que refere aos gramados - nos quais se apresentariam os jogadores – até os lugares que seriam ocupados pelos torcedores, nos mais de 60 jogos a serem disputados.

A organização do evento exigia, no mínimo, oito estádios com todos os itens necessários, capazes de proporcionar segurança, acessibilidade e conforto, só para citar os principais detalhes.

Vinte e oito anos depois, o Brasil realizou aquela que acabou de ser considerada – por maioria de jogadores e integrantes da FIFA – como a Copa do Mundo de Futebol que melhor atendeu a atletas e torcedores, na grande maioria dos itens e situações referentes.

A exigência Superlativa - digamos assim – foi a qualidade apresentada pelos doze estádios situados nas localidades – sedes entre Brasília e Fortaleza, Manaus e Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, Recife e Cuiabá, São Paulo e Salvador, Curitiba e Natal.

Respeitados todos os detalhes, o Campeonato Brasileiro - que começou pouco depois do término da Copa, seguiu por base o exemplo do que foi apresentado durante a competição maior. Até aí, tudo certo.

Com o andamento dos jogos, começaram a ser demonstradas diferenças de tratamento considerando-se, inclusive, os Clubes que disputam o Brasileirão 2014.

É possível que seja apenas uma coincidência, mas a grande verdade é que, ao liderar o Clube dos 13, durante muitos anos, o atual Presidente do Grêmio Fábio Koff, liderou um processo digno de ser seguido em qualquer esporte do país. No Clube dos 13, Koff constituiu-se numa espécie de comandante capaz de buscar as melhores circunstâncias para os integrantes da Entidade, na qual demonstrou capacidade e conquistou um amplo conceito de gestão.

Teria esse trabalho gerado ciúmes na atual direção do Futebol brasileiro?

No jogo contra o Corinthians, no último domingo, o mesmo juiz que arbitrou diversos jogos do Grêmio nesse campeonato, bem no início da partida, dirigiu-se a dois jogadores gremistas com uma intensidade desproporcional, atitude à qual os jogadores não manifestaram a mínima reação.

Um pouco mais adiante, o jogador do Corinthians – que fez o gol – teve a atenção chamada pelo juiz no mesmo grau de violência. O Corinthiano não aceitou e, ao contrário da reação gremista, retribuiu de forma acintosa, mas sem que a esta coubesse qualquer resposta do árbitro, tudo amplamente registrado pela transmissão da TV.

Quem achar que este comentário é uma simples atitude de torcedor, está enganado.

O fato de o Grêmio ter sido afastado da disputa da Copa do Brasil, por haver, em seu estádio, ter sido cometida uma ação racista, ainda que o Grêmio tenha apontado os protagonistas - como preconiza a Lei – não levou os julgadores a qualquer atitude compreensiva.

Não é preciso mais trazer exemplos ocorridos com o Grêmio. Há outros, muito piores e facilmente perdoados, tais como inscrição errada, "talvez sem querer", de jogador em partida a qual não poderia estar presente. Em poucas horas chegou-se ao perdão de perdas de pontos, sem qualquer punição. Para que nome do jogador e do time, se todo o Brasil já sabe e ficou estarrecido pela bandalheira?

O Futebol, senhores, vale por sua importância como esporte da maioria dos brasileiros. Se persistirem os perdões sem razão e o lixo das atitudes jogadas debaixo do tapete, é bem possível que o Brasil seja suplantado por países mais sérios e zeladores da igualdade entre todos.