Palestra de Heino Willy Kude proferida em 26 de agosto de 2010.

     Preâmbulo: A humanidade tinha de resolver um enorme problema. Todas as vezes que compramos um aparelho eletro-doméstico, recebemos um manual de uso. A humanidade surgiu, sem ter sido aquinhoada com um impresso que facilite a tarefa de vivermos em harmonia. De fato, praticamente não nos conhecemos e inúmeras perguntas estão em aberto, existindo respostas várias. O título desta palestra se baseia num livro que publiquei em que apresentei minhas idéias, dentro do esquema de que um engenheiro deveria analisar o que existe em tudo que deve ser o objetivo do estudo da mente, dentro de uma visão bem mais técnica.     

     Em primeiro lugar cabe dizer que considero um erro só observar o homem atual e nele basear essa ciência humana tão importante ou talvez mais que a medicina. Nós somos um produto final depois de termos sido processados durante milhares de anos. Seria considerar o cãozinho de colo como sendo um chacal. Mas, mesmo assim, para entender certas reações deste  animalzinho, temos de investigar a fera chamada chacal. Mas é de se reconhecer que psicólogos hoje realizam trabalhos de muita envergadura. Mas por outro lado, há quarenta anos fui entrevistado por dois profissionais da área da psicologia para admissão numa firma. Um amigo me confidenciou depois que um dos profissionais teria dito eu ser o melhor sujeito do mundo e o outro, ser eu o maior criador de casos. Mas creio ser coisa do passado.

     O que considero importante no estudo da psicologia é sempre vivenciar a sociedade humana. Lamento não ter podido viver algum tempo entre índios, mas passei durante a segunda guerra por vicissitudes que a maioria das pessoas, não conhece. Assumi cargos em entidades de fins diferentes, como em dois partidos políticos, num Rotary-Club, numa comunidade religiosa, num sindicato e em dois clubes esportivos. Sou membro de um grupo da terceira idade, da UBE e com muita honra para mim agora também da Academia Rio-Grandense de Letras. 

     Um ponto inicial importante ao qual volto mais adiante é este: A mente - ou alma - nada ter a ver com o corpo o que se reflete em doenças muitas vezes. Na realidade, a mente deveria comandar o sistema imunológico do corpo o que efetivamente faz, mas de modo precário.  Um dos exemplos é a alergia que é uma espécie de super-reação a um mal de somenos gravidade, enquanto que num mal da gravidade do câncer ou a mente seria o próprio agente gerador - como alguns suspeitam - ou não reage devidamente. 

     Pré-história: Já disse, ser importante para conhecermos com profundidade a nossa natureza, investigarmos o homem da pré-história, tentar chegar-se naquela fronteira em que o homo sai de sua condição de animal, para decolar rumo ao que somos hoje. Para poder estudar tal, me vali dos livros de  grandes pesquisadores, entre os quais cito o austríaco Konrad Lorenz – prêmio Nobel de medicina de 1973, por seus trabalhos em etologia - que nos revela o admirável mundo dos instintos animais. As conclusões ali inseridas são tão surpreendentes que formulei a pergunta: Será que a mente de certas animais ali analisados seria mais complexa que a nossa? O mais provável é que tenhamos sido como os outros animais, quando o homem-animal passou o bastão para nossa condição primitiva humana racional há cerca – avalia eu - de 300.000 anos.

     Mas como é que vivíamos então? Essa do homem das cavernas viver só para si, puxando às vezes uma mulher pela cabeleira para lhe fazer companhia é piada. Num estudo primário dos instintos – melhor seria chamar de programa computadorizado mental, pois instinto nada explica – aparecem duas finalidades básicas: Preservação de sua própria vida e sobrevivência da espécie. Mas é claro que tais finalidades às vezes colidem. Uma mãe, ao ver a prole a perigo, poderia perguntar: Quem deve viver, eu ou os filhotes? Qualquer decisão implica em contrariar um dos dois instintos. A solução foi conviver em grupos. Todos entram juntos na luta. A chance de não morrer cresce e a espécie sobrevive melhor. O instinto associativo assim foi a solução de emergência que resolveu este impasse. Mas quantos indivíduos comporiam o agrupamento?  Há animais de família, de clãs e de grandes manadas. Nós os humanos, em nossa origem, éramos animais de clã, constituído de cerca de cinqüenta integrantes. E isso permaneceu fixo em nossa mente, mesmo após termos assumido a condição de civilizados. Em todos nossos procedimentos agimos assim. Cito aqui xenofobia, tribalismo, racismo, clubismo, chauvinismo, fanatismo político, sectarismo etc. Eu até diria que os animais superiores, símios, canídeos e o hominídeo chegaram a desenvolver de tal modo o apego ao clã que o mesmo superou o sentimento voltado à espécie. Hoje vivemos nessa macro-sociedade e consideramos a família  como sendo a célula mater da sociedade. Na realidade, é uma solução de emergência que apesar de falhas, seja mesmo assim talvez a melhor, dadas as circunstancias. Sempre digo: Fomos programados para viver entre cinqüenta membros fraternos de um clã e somos obrigados a viver entre milhões de seres humanos, normalmente pouco fraternos. E cabem duas perguntas no que se refere ao clã: Haveria necessidade de uma comunicação entre os seus membros e se tal clã seria organizado de modo mais ou menos racional? A ambas as perguntas respondo com um incisivo sim.
                                                                                  
     Organização:  Vamos analisar a organização hierárquica que existia antes e durante essa gradual e bem lenta passagem do animal-homem para o homem no início do processo civilizatório. Pelo que vamos ver mais adiante, creio que ainda estamos mais próximos do animal que do homo sapiens, propriamente dito. Em 1975, mais ou menos, o grande médico Dr. Mário Rigatto falou em líderes naturais existentes em todas as camadas da sociedade e ao mesmo tempo, um psicólogo negou que houvesse tais líderes. Creio ser isso o melhor sinal que pelo menos até então ninguém ter estudado a pré-história da mente humana. Assuntos como esse, muitos dos quais hoje superados e estudando esse entre outros, concluí de ainda hoje existirem quatro tipos fundamentais de seres humanos, todos já devidamente programados para a realização das tarefas e garantir hierarquia e organização ao clã: o Líder dos tempos de paz, o líder dos tempos de guerra, os guerreiros e os trabalhadores pacíficos. Se entendi bem, Jung falou em persona.Observem pessoas e vão  conseguir identificar essas quatro tipologias. Uma das confusões do mundo atual é que líderes muitas vezes vivem subordinados e como empregados de trabalhadores pacíficos. Relembro a ópera La Serva Padronaque é cômica, mas muitas vezes esta inversão de posição, nascida de contingências e eventos da vida cotidiana não é nada cômica. Aqui cabe citarmos os tais complexos, tendo muito se falado em complexo de inferioridade. O que existe em verdade, eu chamaria de complexo de incapacitação, seja, uma pessoa foi programada para o exercício de uma determinada tarefa ou função e sendo educada e instruída erradamente para outra e daí ser incapaz de desenvolver seu potencial ou obrigado a ter de ser mais que deseja e consegue ser. Seria como treinarmos uma jovem esbelta, capaz de ser campeã mundial das corridas dos cem metros rasos, para a capacitar de levantar halteres de 120 quilos. Esses e outros absurdos sempre existiam e ainda são vezeiros. Mas examinemos os quatro tipos de pessoas, encarregadas das tarefas no pré-história: Líder da paz é aquele ser humano dotado daquilo que se chama carisma, é calmo, sereno e quando nos pede algo, seu pedido para nós é uma ordem, tendo se dificuldades em desobedecer. Existindo paz, liderava, sem precisar dizer uma só palavra o clã. O líder dos guerreiros, ao contrário, é aquele tipo de pessoa de quem se pode facilmente imaginar que comande por aí, berrando: Vamos quebrar a cara desses desgraçados ali. É indiscreto e barulhento, contando piadas de papagaio para a madre superiora de um hospital de caridade. Quem não é líder, como eu não o sou, nunca deveria aceitar cargos de presidentes de uma entidade e nem fazer questão de ser chefe em uma firma, mesmo que melhore o salário. O preço é o estresse. Já o guerreiro era encarregado de lutar pelo clã. Montava guarda e era o primeiro a entrar numa luta, mas pouco trabalhava e o guerreiro de hoje ainda não aprecia trabalhos monótonos. Havia nele um bloqueio mental, iludindo-o de que nada lhe poderia acontecer numa luta. Sua mente era dividida entre extremo amor aos membros de seu clã e um ódio aos inimigos do clã - predadores ou membros de um clã inimigo. Essa dualidade é perigosa e conforme tratamento a ele dispensado, pode ser um bom amigo ou inimigo, segundo ele interpretar quem somos. O trabalhador pacífico era colhedor de frutas, pescava e fazia de tudo para que não fosse inimigo de ninguém. Via de regra é cordato, o que a ele se ensina, ele realiza, por isso sendo em muitos casos um aluno brilhante e depois poder falhar na prática. Na pré-história a geração de crianças e educação das mesmas não cabia às mesmas pessoas. Pois o trabalhador pacífico e especialmente as trabalhadoras eram encarregadas desta tarefa, pois nunca foram afetadas pela adultice – da qual quase todos nós sofremos –as pessoas encarregadas e serem os responsáveis pela segurança e do comando da humanidade.  



     Mulheres e Homens: Uma das frases que mais ouvimos por aí é que mulheres pensam de um modo e homensde outro. Freud teria dito que depois de estudá-las por trinta anos, não chegou a compreender as mulheres. Antes de estabelecer as tipologias cheguei a pensar que a mulher nunca há de aceitar o homem civilizado. Anos mais tarde já tendo concebido as tipologias, depois de ler um artigo numa conceituada revista onde se falou das diferenças dos sexos, chamei atenção para os tipos. Como sempre não houve retorno. Na realidade, uma mulher, por exemplo, líder guerreira é muito mais parecida com um líder guerreiro que com uma mulher trabalhadora pacífica, nem devendo falar em nome dessa. Mas o que aparentemente no dia-a-dia prevalece é que no topo da hierarquia das mulheres domina uma tipologia diferente da dos homens. Outro dia, soube através de uma parenta que num círculo de mulheres casadas uma delas contou com quantos homens ela já enganou o marido. Elas protestaram e a lembraram de ser casada e assim ter compromissos. O mesmo acontecendo entre homens provoca relato de outros. Isso é típico dos guerreiros – líderes e comandados. Talvez exista um percentual maior de guerreiros entre homens que entre mulheres... Quanto ao machismo, cabe dizer: Nas espécies animais varia a prevalência de um sexo sobre o outro. Nas hienas são as fêmeas, e em nós, os machos e isso ficou gravado em nosso cérebro-computador. A causa original talvez seja o importante fato para o passado - hoje, secundário - de o homem em média ser mais forte. Com exceção dos trabalhadores pacíficos nos outros homens se encontra um programa mental, segundo o qual, caso a mulher queira mandar, ela seria uma rebelde. Isso aí é um fato lamentável e creio que o mesmo pode ser corrigido com o uso da racionalidade e a educação. Esses são os fatos que se acham inseridos no programa mental dos humanos, ainda próximos da condição de animal. Mas quero recordar um fato: Eu considerava ali por 1950, as mulheres mais inteligentes que os homens e – sem segundas intenções - gostava de dialogar com elas. Mas havia as que decepcionaram quanto à inteligência e por pessoalmente não apreciar brigas, eu fui obrigado muitas vezes a ouvir uma frase, dita por elas: Seja homem!!! Eis o outro lado da moeda.

     Moral Sexual: Sem nem considerar a moral sexual o capítulo mais importante deste capítulo importante da filosofia, cabe dizer que o que aqui prevaleceu é a linha de pensamento dos líderes da paz, sempre contestado de tempos em tempos pelos líderes dos guerreiros.  

     Comunicação: Havia necessidade de intercomunicação no clã. Não existia a linguagem que hoje usamos. Gestos, risos, choros e gritos eram a principal forma. Em segundo plano aparece a telepatia. Vejam bem, a telepatia não comunica dados concretos e racionais, mas uma série de sentimentos e emoções que chegando em bloco ao cérebro, podem até completar um conceito. É uma linguagem muito primitiva. O nosso cérebro é um computador capaz de interpretar tais dados. Outro dia ainda soube através de uma informação vinda da Suíça que o computador mais desenvolvido hoje é capaz de só realizar 10% do que faz o cérebro humano. No que tange à telepatia, por enquanto, informam que sua existência não foi comprovada. Mas fiz minha própria pesquisa: Mais ou menos 90% das pessoas que entrevistei com cuidado – sem elas nem saberem tratar-se de enquete - quanto a eventos paranormais que só por uma comunicação poderiam ser explicadas, responderam sim. E creio poder dizer com ênfase que a telepatia é a chave do segredo do misticismo. Creio também que algumas pessoas, normalmente líderes dos guerreiros conseguem berrar telepaticamente. Quem fala alto, telepata alto. Isso que aqui digo, carece ainda do confirmação científica. Aliás, todas as minhas afirmações devem ser vistas como sendo tecnicamente viáveis. Cabe ainda acrescer que cada clã tinha o seu próprio dialeto telepática um pouco diferente do dos outros que se desenvolveu durante milhões de anos. Quem está de tal modo ligado com outro ser humano, parecendo uma só pessoa, ama de fato. Creio ter assim explicado o que pode ser o amor. Um dado importante é que ao falarmos, telepatamos concomitantemente e mal-entendidos às vezes se baseiam no fato de entendermos as palavras racionais, mas termos dificuldades com a mensagem telepática paralela. Mentiras muitas vezes transparecem nisso aí, pois o subconsciente dificilmente sabe mentir o que se reflete na telepatia companheira da palavra falada. 

     Sexo e Tabus: Depois destas premissas, abordemos algumas colocações intrigantes e interessantes. Inicialmente peço esquecer a palavra tabu, pois depõem contra nossa inteligência investigadora. Assim vamos logo partir para a pré-história. O clã vivia num território limitado e era composto por cerca de cinqüenta membros. Pergunto: Onde comem cinqüenta, podem comer dois mil? Claro que não. Havia pois necessidade de se racionar o sexo – sinônimo de procriação -  e destinar tal benesse aos que haviam feito algo pelo clã. Aparecem os líderes, em primeiro lugar. Depois, os guerreiros que arriscaram as suas vidas. Os trabalhadores pacíficos não tinham direito ao sexo e por si já desistiram do mesmo, recorrendo às vezes à masturbação. Lamentavelmente, hoje em dia, a humanidade passou a considerar como seres inferiores os trabalhadores pacíficos que vivem em nosso meio e que são o alicerce da sociedade. Menosprezam-se as pessoas que se masturbam e também dos que casam e não atendem os desejos dos parceiros no que tange ao sexo. Já drama dos guerreiros reside no fato de quererem sexo, terem uma oportunidade para fazer algo que os faz merecedores duma condecoração, mas não surgem oportunidades. São assim obrigados a recorrer ao sexo comprado e, em último caso, não havendo outra solução, casar. Em casos extremos, o guerreiro tendo optado ser inimigo da sociedade, recorre ao estupro. Na pré-história tal crime só ocorria na guerra entre dois clãs inimigos, quando os vencedores impunham sua vontade às fêmeas do clã vencido. 

     Curioso é o tal complexo de Édipo. Se um filho guerreiro ou líder, tendo uma mãe, igualmente líder ou guerreira (precisa ser sempre da mesma tipologia) tiver um bom pai, típico trabalhador pacífico, facilmente pode nesse filho surgir a idéia de que a velha precisa de um homem mais macho e que seria eu. Até estou investigando indícios de que na pré-historia, certas mulheres, velhas guerreiras ensinaram aos jovens guerreiros os segredos do amor e possivelmente velhos guerreiros às jovens guerreiras, o mesmo. O trágico é que nunca existia uma intransponível aversão mental ao incesto o que apresenta seus reflexos até hoje. 

     Reencarnação: Como é que animais podem ser dotados de instintos e que defino ser um programa mental? É a reencarnação que evidentemente deve ter um mecanismo para sua viabilização técnica. Segundo entendo, acontece o seguinte: Na hora da morte, de um acidente muito grave, quase resultante em morte e até em psicoses incapacitantes, o cérebro-computador envia o programa mental via telepatia para o éter. Digo éter, pois tudo acontece como se o agente emissor fosse uma estação de televisão, podendo ser captada a mensagem por todos os cérebros virgens, aptos a receber mensagens. Quem está ligado, capta. Quem está desligado, nada capta. Essa de se dizer que vai ao espaço para ali se aperfeiçoar, considero tecnicamente inviável. O que pode aperfeiçoar, seria ser captado por um cérebro animal que pode ser menos complicado que um cérebro humano cheio de arquivos e dados deletérios e contraditórios. Seja como for, a reencarnação humana é imperfeita. Só os dados de natureza primitiva e tradicional são transmitidos. Dados concretos e conhecimentos são passados só excepcionalmente. As crianças nascem, por exemplo, sabendo nadar, mas desconheço um caso de um neném nascer, sabendo falar, ler e escrever. Mas bem outra é o caso da vocação que em nós, por reencarnação pode surgir. Mais dois enganos no meu ver são cometidos pelos espiritualistas: Sempre se pensa que depois da morte, surge só um só herdeiro dum programa mental. Mas funcionando, como se fosse uma estação de televisão captada por milhões de televisores, nunca daí saberemos dizer quantosherdeiros surgirão. O segundo equiívoco é pensar que o programa de uma mulher, p. ex., só chegue ao cérebro de uma mulher. Pode ela programar uma pessoa do sexo masculino o que explicaria a homossexualidade e vice-versa. Entenda-se que o corpo nada tem a ver com a mente. Eu tendo um computador, posso nele inserir o texto dos meus livros, como também as contas bancárias de uma firma. Existe a viabilidade de muitas pessoas terem sido programadas por um animal ao morrer. Certas religiões orientais sustentam algo assim. Notem bem, o animal não é tão incapaz, no que tange a emoções e sentimentos como muitos o pensam e ficarem furiosos, quando afirmo que ainda somos animais. Em parte, isso até é bom. 

     Para podermos chegar a essa conclusão, após aceitar a reencarnação como fato (ou imortalidade da alma) me vali – na qualidade de detetive da ciência – de dois pequenos indícios. A história do passarinho de mau agouro, relatado por C.G.Jung ao visitar um paciente em estágio terminal que disse que todas as vezes certos pássaros aparecem na janela do quarto do doente, seja sinal de morte à vista. Por quê? A nossa mensagem telepática deve estar sendo ouvido pelos pássaros que soa parecido ao chilrar deles. O segundo indício: É certo que há pessoas que ao morrerem – ou nas outras situações antes citadas – veem passar a sua vida, como que num sonho. Comparo-o ao correr o programa dos computadores, sempre antes de o exibir ou salvar. 

     Crimes sociais: Na antiguidade pré-histórica muito mais se fazia questão de qualidade que de quantidade. Ao nascer uma criança, ali logo formularam uma pergunta: Encaixaria ela no nosso clã, ou não? Uma das preocupações era: Entenderia a linguagem telepática do grupo, ou não? Poderia ter sido programada por alguém extra-clã? Outra, se tinha órgão genitais de um sexo, era mentalmente mesmo daquele mesmo sexo? Com uma resposta não a tudo isso, poderia ser sumariamente eliminado, o que por sinal também fazem animais parecidos conosco. Isso aí chamo de assassinato social. Depois que a humanidade já mais evoluída, passou a imaginar que a intercomunicação telepática, fosse ser a mensagem de um deus ou vários, interpretou-se essa matança como sacrifício para aplacar a ira de entidades superiores. Ninguém poderia estorvar a boa convivência do clã, o que até no mundo bem antigo, feroz e de poucos recursos, se justifica. Os integrantes de um clã se entendiam tão bem pela telepatia como – segundo dizem - se entendem gêmeos em muitos casos. E se hoje, logo, à primeira vista amarmos inexplicavelmente e nos entendermos bem com uma pessoa, provavelmente é ela do nosso clã que ainda continua existindo, com seus integrantes – agora milhões – espalhados pelo mundo afora, de qualquer nacionalidade ou raça. O que se estabelece em milhões de anos não é destruído em dezenas de séculos de civilização. E agora vamos analisar gente que mais é anacrônica que criminosa: Fiquei impressionado com a confissão de um assassino, dizendo que Deus o manda matar. Considero aqui a voz de Deus como sendo a voz de seu clã que queria eliminar alguém que decepcionou, por agir errado. Podemos entender assim, mas nunca esquecer tratar-se de um crime. E tem outra: por ter cumprido com seu dever, tal pessoa nunca se arrepende, mas se orgulha do que fez,ao contrário de todos aqueles medíocres que não conseguem entender sua missão tão transcendental. Creio que aqui podemos enquadrar serial-killers que via de regra matam prostitutas, sendo elas mulheres que agiam de um modo inconcebível, dentro da visão da pré-história. Que isso que aqui digo, se verdade for, sirva de alerta, em especial a legisladores, criadores de leis ditas humanitárias (que aliviam as dificuldades para 1% da população e dificultam as de 99%, como veremos adiante). No antigo clã, para não ocorrer uma ação ditada pelo ódio pessoal ou precipitação, parece que os encarregados de matar os errados do agrupamento, eram os líderes da paz. Isso explica que muitos desses facínoras são pessoas que irradiam simpatia e provavelmente a investigação policial é difícil, por não parecerem suspeitos aparentemente.  

     Criminosos e Empilhamento de Gente: Que só um por cento da população mundial seja constituída de criminosos chega a ser um milagre. Fui tomado de pessimismo, após tomar conhecimento da famosa experiência dos ratos, em que se colocaram milhares desses roedores num pequeno espaço, surgindo estupros e assassinatos o que entre os ratos, na sua estrutura social de animal de clã, era inconcebível. Se esse um por cento de um lado indica que não somos ratos, deve nos servir de alerta de não querermos mudar muito as estruturas familiares e a forma de pensar das pessoas. Vivi durante um bom tempo num acampamento de pessoas deslocadas, onde o quase empilhamento de gente criou problemas. O que mais impressionava era o berreiro noturno das crianças. Não posso imaginar que na pré-história tenham elas agido assim, pois seria um orientador para predadores noturnos acharem os hominídeos. Uma das explicações aqui é essa: Não eram as mães geradoras das crianças que as criaram, mas no clã se encarregaram a mulher trabalhadora pacífica dessa tarefa, por ser mais dedicada e talvez ainda mais criança e mais próxima delas do ponto de vista psicológico. E realizei experiências, acalmando crianças pelo uso da telepatia e cheguei a uma conclusão: Não falta amor às mães de hoje, mas algo que eu chamaria de amor com dedicação exclusiva. Aqui existe um aspecto em que a instituição chamada família pode ser criticada. Isso vale especialmente para mães solteiras e para famílias desmanchadas. Ninguém essas condições consegue se dedicar exclusivamente aos filhos. Observo com tristeza, mães solteiras andando nas ruas conduzindo seus filhos com claras manifestações de raiva.      
                                      
     Voltando: O fenômeno bottle-neck, antes referido, em alemão chamado de Lagerkoller ou em português síndrome dos acampamentos, pode nos levar à situação de ninguém mais querer crianças, no mundo superlotado, pois são o estorvo com seu comportamento. Por um tempo vivermos juntos  num grupo maior de homens de mesma idade como atletas ou mulheres nas mesmas condições num espaço acanhado, é divertido, mas misturados com nenéns, deveria ser evitado.     

    Mas, voltando aos criminosos: Atribui-se a criminalidade à miséria, às injustiças sociais – o que nunca deve ser descartado - mas por favor, no mínimo em nosso país cerca de vinte por centos vivem na miséria e apenas um por cento é criminoso. Aqui existe um hiato que nos faz pensar de haver outras causas. Os criminosos violentos são tipicamente guerreiros que via de regra são mais inteligentes e acima de tudo, mais perspicazes que os trabalhadores pacíficos. Em primeiro lugar, um dos pontos é esse. Quem nasceu para guerreiro, sente que precisa s4er treinado para essa tarefa. Os animais o sabem e sempre vemos cadelas praticarem lutas simuladas com seus filhotes. Nós, os homo sapiens, ignoramos tal e se uma criança começa a amolar, querendo uma manobra de guerra, ouve um grito no sentido de calar a boca. Alerto aqui: Um guerreiro não treinado deve ficar complexado, o que significa que pode agredir pessoas incapazes de se defender e que não pensam em lutar. Além disso, esse tipo de escolarização em voga – pouco pragmática - é uma verdadeira escola de criminosos. Acabou-se com o trabalho infantil que evidentemente teria de se moderado e adequado. Ensinam-se matérias que não interessam a mentes pragmáticas, como o é a dos guerreiros e guerreiras que podem e devem opor resistência mental ao ensinado. Aqui só ajuda uma, o ensino profissionalizante com trabalhos adequados que faz com que a criança guerreira se sinta respeitada, útil e adulta. Mas o que acontece hoje em muitos casos? Os guerreiros se sentam na aula longe do professor e a matéria ensinada causa tédio e esse, a reprovação. Eles observam que os menos inteligentes levam as notas mais altas. (Trabalhadores pacíficos aceitam tudo que lhes é ensinado e o repetem, o que resulta em notas altas). No fim, muitos guerreiros acabam fazendo tudo que na escola não se ensina. Esquecendo por um momento o criminoso, analisando erros do ensino: Ali por 1950, na Alemanha surgiu uma enquete: Onde estão os nossos grandes médicos, como os do no início do século 20, Robert Koch, Emil von Behring e Paul Ehrlich, prêmios Nobel de Medicina? Resultado: Seriam os não aprovados no ENEM alemão, a Reifeprüfung. Voltando ao início do raciocínio: Os guerreiros inteligentes, sendo mais pragmáticos, não querem encher a cabeça com cultura inútil com a qual nada conseguem fazer. Ser criativo não exige tanta cultura, como acima de tudo, saber manipular conhecimentos. Temos de revisar o nosso conceito de inteligência para não cometermos ali enganos e levar talvez muitos desses  verdadeiramente injustiçados para o mundo do crime. Um crime pouco cometido na pré-história e nunca dentro da convivência do clã, era o roubo. É de se crer que se vendo abundância no território de outro clã, devem ter ocorrido roubos para poder sobreviver e creio que é o único crime que se entende pelo lucro auferido pelo ladrão. O pior é que em matéria de diversão e risos, só os guerreiros e seu líderes eram dados ao humorístico, o que em muitas oportunidades fez com que não conseguissem avaliar com a devida seriedade as contravenções cometidas.     

     Psicanálise: Em si a psicanálise foi uma idéia genial e simples. Mas o que noto sempre é que as própria teorias externadas pelos grandes pioneiros da psicologia e ciências correlatas, colocaram algemas na psicanálise. Pelo menos, assim foi no passado. Nem todos os problemas que temos, são provenientes de incidentes traumáticos, incompreendidos e esquecidas de nossa infância. Podem ser problemas de vidas anteriores e da saúde do corpo. Entre os muitos erros que cometi como leigo, também acertei em alguns casos. Um jovem estava durante anos, indo ao analista que não achou a causa da neurose. Usando um método algo exótico, eu disse quase de supetão: O senhor na vida anterior morreu num incêndio sem poder escapar. Ele olhou para mim: Incrível o senhor deve estar sabendo, que sempre sonho com incêndios. Um outro caso foi de depressão. A mulher de um médico do interior me contou o caso dele, assegurando, ele ter sido normal e agora sempre chorar. Creio ser uma das causas da depressão ser a falta de soluções para o organismo. Tendo-se um mal somático, a imunologia reage, mas, caso, com a reação, tudo piorar, entramos num circulo viciosa que acaba em desistência e daí, em depressão. Sendo ele – conforme me relatado – um devorador de carne, dentro do constatação de que só o homem ingere carne sem comer os ossos, recomendei tomar cápsulas de cálcio. Ambos os casos resultaram em cura completa, mas em muitos outros me faltou profissionalização. 

     Nósanimais de pequeno grupo: No geral não somos egoístas, mas corporativistas. Se o grupo, ao qual se pensa pertencer, vai bem, o mundo está em ordem. Em caso contrário, algo teria de ser reformulado. Não consegue a grande maioria dos humanos pensar em termos globais e vejo com muito pessimismo o futuro da humanidade, frente a problemas como a desertificação, por exemplo, que só conseguem ser resolvidos com um esforço comum de toda a humanidade. Com isso se criou uma mentalidade simplesmente medíocre que se aferra a probleminhas. Basta olhar ao que se acha inserido na mídia formadora da opinião pública. Pouco se fala dos grandes problemas, dentro dum esquema de populismo intelectual.    
                                            
     Antigamente nem existia o indivíduo. Éramos um dos membros do clã. Estávamos envolvidos pelo pensamento generalizado, que se poderia chamar, como Carl Gustav Jung o fez de Inconsciente Coletivo. Ainda hoje em culturas mais primitivas, tudo é de todos. Era o fundamento da vida de pessoas que não eram indivíduos o que caiu por terra nesse meio tempo. Fazer reverter tal situação, me parece ser difícil, mas viável, pois algo assim ainda se encontra em nosso cérebro. Mas nunca nos esqueçamos que hoje existem muitas pessoas diferentes do padrão pré-histórico. A fraternidade existia graças às radicais limpezas do clã, eliminando os anormais. Ou se era irmão ou se era morto. Assim penso ser impossível reverter isso aí. E é como que regimes extremistas também agem. É lamentável não ser diferente.

     Psicopatias: Uma pessoa pode ser psicopata por não dispor de um cérebro que funcione bem como órgão e mecanismo em si. Não o comento, pois tal cabe à medicina. Um outro caso seria essa de dispor de um cérebro-computador com mecanismo perfeito, mas ter sido programado com dados inconvenientes, fazendo-o agir de modo inaceitável, sem um mínimo respeito pelos que vivem em seu redor. Tais pessoas já foram chamadas de associais, sendo hoje chamadas de amorais. Já cheguei a pensar que tal gente não tenha nem sido programada para poder viver de modo social e harmônico conosco. Mas acredito antes que estas pessoas tenham dentro de suas mentes inseridos bio-bythes que as levariam ao cometimento dos crimes sociais hediondos, mas por serem inteligentes, se dominam a ponto de verem em quaisquer atos legais - por mais imorais que sejam - em comparação com o que pensam, serem atitudes aceitáveis por todos. Seria como interpretar as regras de jogo da vida de modo algo exclusivo. No meu entender são psicopatas, mesmo que dificilmente terminem suas vidas em clínicas psiquiátricas. Vou focar agora duas situações normais da pré-história, para explicar outros casos. Entre uma das atribuições dos guerreiros surgiu essa de serem vigilantes e provavelmente alguns deles tinham a capacidade de conseguirem detectar as comunicações telepáticas dos inimigos ao se aproximarem. Assim como outros tinham uma vista acurada, eles tinham o sexto sentido - que existe mesmo – muito desenvolvido. A segunda situação: Nasceu uma criança com defeitos de tão pouca monta que hoje nem seria comentado. Sem ter direito ao sexo por falta de merecimento, molestava as fêmeas ou era um trabalhador preguiçoso. Aos poucos, o clã resolve eliminá-lo. Transportemos esses dois casos normais da pré-história para os nossos tempos. O primeiro, ótimo entendedor da linguagem telepática, mas por ser guerreiro com dificuldade de aprender – aqui seria, a linguagem normal - que lhe parecia ser inútil, pois se comunicava. Esse tipo de gente, após ter sido adivinho em sociedades posteriores ao clã, talvez profeta ou vidente, hoje em dia, devido à grande quantidade de pessoas que existem, recebe não só dez mensagens como no ano 150.000 a.C., mas milhares delas, não a ele destinadas e possivelmente muitas oriundas de pessoas inimigas. Ele não consegue analisá-las e entender tudo que capta, o que acontece a qualquer um de nós ao ouvirmos centenas de pessoas, falando ao mesmo tempo. De quando em vez, aparece algo revoltante, como essa de uma criança ser estuprada e morta e ele sendo guerreiro reage, querendo defendê-la. Os especialistas poderiam me fornecer o nome técnico dessa psicopatia? O segundo cidadão da pré-história sente que o clã chegou ao acordo de que ele deva ser morto, mas quer viver. Os que estão ao redor dele, ao invés de inspirar segurança,pensam em matá-lo. Mais uma vez, pergunto como chamam essa psicopatia? Meu pai contou a história de uma tia política que repentinamente passou a falar de que ele é a a imperatriz Eugênia da França. Esta pessoa tinha de ter a noção clara de isso não ser viável. É um claro caso de reencarnação e que a pessoa é uma cópia Xerox dessa imperatriz. Certa época em minhas investigações até pensei em me dirigir a tais pessoas e pedir elas esclarecer pontos obscuros da história mundial. Mas creio que os dados concretos da vida anterior não lhe foram transmitidos e saber que ela possivelmente tenha tido aversão ao seu esposo Napoleão III, muito pouco interessa.   
                                                                                                                                    
     Vamos ficar aqui, mas afirmo que talvez todas as psicopatias, com exceção das que resultam de falhas orgânicas do cérebro, têm explicação lógica ao analisarmos a pré-história. São acima de tudo pessoas anacrônicos ou redivivos que hoje aparecem, como se um enorme tempo de evolução nunca tivesse ocorrido. Em verdade, grande parte das crianças que nascem são exatamente iguais às crianças de cem mil anos atrás. Fala-se também muito em alucinações, dizendo ser uma característica de psicopatas. Afirmo: Não é alucinação, quando ouvirmos uma mensagem ou vermos algo que efetivamente se relaciona conosco ao percebemos tal. É o sexto sentido funcionando. O comum aqui é nos ocorrer uma idéia repentina que reflita uma verdade. Anormal é ouvir algo ou ver algo que não nos diz respeito, mas isso volta ao caso dos guerreiros especialmente vigilantes da pré-história.      

     Paranormalidade e Misticismo: Sigmund Freud teria pedido certa feita a Carl Gustav Jung prometer de continuar a defender a tese de ver na sexualidade o fundamento de nossa psiquê, pois do contrário teríamos de admitir que a alma seja algo místico. Freud tinha uma impressionante cultura literária, podendo ele integrar perfeitamente qualquer academia literária e buscou dados para as suas teorias nas grandes obras de todos os tempos. Jung, por sua vez enveredou um pouco para o paranormal e foi até considerado um místico. Ao contrário do que algumas pessoas dizem, não sou místico, mas admito ser ela uma realidade, desejando enfrentar um desafio, achando que a ciência teria de investigar mais o paranormal. Considero as existência da telepatia ser, pelo menos na maior parte, uma explicação para o que de estranho existe entre céu e terra. Investiguei muito em casas de religião, centros espíritas e videntes. Sempre tive em mente que deve haver uma explicação racional - baseada na física - para tudo isso. Considerei as assim chamadas curas pelo espaço como sendo aqui o mais importante. Tendo estabelecido o funcionamento da humanidade na pré-história, como descrito antes, me ocorreu uma idéia banal: Se existem mesmo os líderes – especialmente, o líderes dos guerreiros - estes deveriam ser capazes de emitir ordens e serem obedecidos. O difícil talvez é poder provocá-los a comandar. Mas tentei: Eu soube do caso de uma mulher humilde, conhecida da minha esposa. Ela era casada com um homem trabalhador, mas que nunca voltava para casa à noite sem ter tomado alguns lisos e ela desesperada lembrava que o pai dele morreu como ébrio numa noite fria numa sarjeta completamente embriagado. Eu me lembrei de uma mulher típica líder dos guerreiros e formulei o pedido escrito num bilhete de dar uma ordem para este homem largar o vício, sem ambas as partes estarem a par do que eu pretendia. O que depois aconteceu, me deixou espantado: Numa quinta-feira, escrevi o pedido. Na segunda-feira seguinte, a mulher contou a seguinte história para minha esposa:Ontem o Fulano agiu de modo estranho num churrasco da família. Encheu seu copo de cerveja e tomou um gole. Depois brincou com o copo o dia todo, só o esvaziando no fim do dia. Acompanho esse caso desde aquele evento de 1990. Este homem nunca mais bebeu. Falei da minha idéia para um médico benemérito e espiritualista que a considerou exótica, mas experimentou e me assegurou que conseguiram curar um jovem viciado em cocaína. Visitei o seu centro espírita e uma mulher me saudou como herói, contando algo que me emocionou muito: Ela tinha uma irmã alcoólatra. Depois de experimentar o método, ao visitar a viciada, esta a levou até um refrigerador abarrotado de garrafas de cerveja e disse que não sabe o que fazer com elas, pois deixou de beber. Experimentei o mesmo método em doenças, acima de tudo, as psicossomáticas. Sempre acontece uma melhora inicial, mas na maioria – creio que em 95% dos casos – a doença voltava. Penso que só numa aliança com a medicina, melhoram as chances de cura. Isso que relato, s.m.j., creio ser o primeiro caso de, pelo uso de raciocínios, termos podido recorrer ao paranormal. Mas estou longe de poder afirmar de ter encontrado o abre-te, Sésamo.

     Nisso também aparecem casos hilariantes. A balconista de uma firma onde realizei muitas compras, fora afetado por um eczema feio no rosto. Consegui eliminá-lo e quando voltei, perguntei a respeito e ela disse: ficou bom, duma hora pra outra! Pedi que me falasse de casos de doenças e vícios. Falou-me duma colega com uma falsa gravidez que depois ficou livre do mal. Depois pediu curar o dono de uma firma, amigo da família que bebia muito. Nos dois casos eu usei, ela própria, por ser adequada como intermediária. Relação de amizade com doentes pode ser um fator muito importante, até decisivo. Ela me considerou como sendo um curandeiro de mão cheia, um guru, quando, de fato, era ela a terapeuta, sem o saber. 

     Voltando à seriedade, eu diria que no clã da pré-história uma ligação tão intensa de amor entre seus integrantes – que friamente como pesquisador, chamei de instinto associativo – deve ter possibilitado curas muito mais espantosas que essas que consegui realizar. Aliás, basta observarmos povos não muito civilizados, onde impera um amor impar entre os membros duma tribo que nós não mais conhecemos. Falando de Jesus e suas curas maravilhosas que em meu ver, eram exitosas pelo fato de ele ter sido capaz de sentir amor de um modo muito mais intenso que eu - que mais torço que um desconhecido fique bem de saúde ou pouco mais que isso. Talvez resida nisso o motivo pelo qual haja tantas recaídas, se bem que o novo testamento não faz referências a recaídas. Mas eu acredito que se eu tivesse conseguido usar os líderes da paz para darem ordens calmas e menos incisivas – o que nunca funcionou em minhas experiências – os êxitos poderiam ser maiores e talvez definitivos. Renovo o que disse já antes: Os tipos guerreiro conseguem amar muito os integrantes de seu clã e se aqui digo que Jesus foi - pelo que depreendi – um líder dos guerreiros típico e São Pedro, também, isso em nada é demérito. Mas não consigo colocar para dentro da minha mente, essa enorme quantidade de amor que caracterizou Jesus de Nazaré.  

     Isso que relato são experiências discretas e pesquisas desenvolvidas durante sessenta anos e insisto que a parapsicologia não pode ser separado da psicologia por ser conseqüência dela. Eu perguntei Será que Freud Explica?, sem nem saber ao certo se eu expliquei coisa com coisa. Mas, amigos, sei e tenho certeza de um fato. Assim como está se trabalhando intensamente no genoma humano, estando já se dizendo que a pessoa que alcançaria 150 anos de idade em boa forma, já teria nascido, assim também devemos estudar com afinco isso que aqui expus. O essencial é que a mente está para o corpo assim como um programa instalado está para o computador. Mentes irmãs não implicam em corpos iguais e já devem ter visto que os grandes gênios, por exemplo, da literatura, não são nem de longe parecidos, o que necessariamente deveria ocorrer, se eu estivesse errado. Prevendo ser essencial a interferência da telepatia em nossa formação e saúde mental, devemos conseguir mudar nossa mente, podendo-se sonhar com a eliminação de tudo que prejudica e danifica nossa vida, em especial, a criminalidade.