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Elogio a Tabajara Ruas - José Édil de Lima Alves (14/12/2020)

14 de dezembro de 2020

(Discurso proferido pelo acadêmico José Édil de Lima Alves durante a cerimônia de entrega do Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras 2020 em elogio a Tabajara Ruas, vencedor do Troféu Escritor do Ano.)

Ilustríssimo Escritor

RAFAEL BÁN JACOBSEN,

Digníssimo Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras, promotora deste evento,

Prezadas Confreiras, Estimados Confrades,

Prezado Escritor, Cineasta e Arquiteto

Tabajara Ruas,

Homenageado como Escritor do Ano 2020 pelos membros deste sodalício,

Senhoras e Senhores:

“Ninguém se conhece com tanta certeza que pode escrever sem relutância num jornal e espalhar aos quatro ventos quem é. Mas vamos dizer que eu sou um boa praça. E escritor.”

Assim Tabajara Ruas autodefiniu-se numa entrevista prestada à Folha do Mate, de Venâncio Aires, em 03 de março de 2016, quando foi distinguido como Patrono da Feira do Livro daquela cidade.

Para quem o conhece desde 1951 e com ele compartilhou os bancos escolares do secundário e do Curso Científico, assim como os campos de futebol nas mesmas equipes da pré- adolescência até fins da adolescência e ao longo dos anos de maturidade, de alguma forma, manteve laços de contato com ele, pode dar testemunho da propriedade dessa autodefinição.

Na verdade, o Taba, como é chamado por quem o conhece mais proximamente, para além de seus múltiplos talentos como intelectual e como artista, sempre foi esse “boa praça”, incapaz de gestos agressivos ou de palavras ou manifestações de desapreço, desrespeito ou desdém por quem quer que fosse. 

Arquiteto, narrador e cineasta, vem construindo toda uma história ligada às letras e às artes desde antes de 1978, quando lançou seu primeiro romance, Região Submersa, ainda na Dinamarca, onde se encontrava como exilado político; a obra, uma clara alegoria aos tempos discricionários por que atravessava sua pátria, na distante América do Sul, e que ele teve de abandonar na década anterior para fugir à repressão que tantas vidas ceifou.

Enquanto escritor, como ele diz:

“O romance é uma arte nobre. Exige dedicação, esforço, exige competência não apenas num dia, ou numa frase bem feita, mas semanas, meses, uma longa temporada de mergulho num mundo que sai das entranhas do escritor e o revela e o confronta consigo mesmo. É um trabalho difícil, mas é compensador.”

No entanto, diz que “Escrever ensaios é mais sensato. Pois ali só entra a razão. Já a literatura (entenda-se a produção ficcional) é uma forma mansa de loucura.”

Refletindo sobre as ligações entre arquitetura, cinema e literatura e a presença delas em sua vida, esclarece:

“As três artes apareceram na minha vida por acaso, mas com certeza têm uma ligação secreta entre elas. Cinema e literatura são artes narrativas e ao mesmo tempo plásticas, e a arquitetura é uma arte plástica que interage com o ser humano, assim como um livro e uma imagem.”

A respeito da relação entre a literatura e os jovens, nos dias de hoje, e as dificuldades muitas vezes apontadas para que haja um interesse mais acentuado da juventude com a literatura, pondera:

 “Cada época tem seus desafios, mas é bem verdade que antigamente não havia toda essa parafernália moderna que dispersa a atenção do provável leitor. O livro ainda é o instrumento mais eficaz de educação e entretenimento. É o mais humano, o mais adequado à nossa condição. Não devemos

desesperar e entender que a educação é a batalha deste século que o Brasil vai travar para sair das amarras que instem em puxá-lo para o abismo. Leitores, professores e escritores não podemos desistir.”

Pela importância que todos lhe reconhecemos na produção de suas narrativas literárias longas e curtas, mas certamente também por tais posturas em defesa do livro e daqueles operadores que zelam pela preservação da literatura e da sua produção cada vez mais importante em todas as faixas da sociedade é que esta Academia Rio-Grandense do Letras tem a honra de conceder-lhe, com seus agradecimentos, o galardão de ESCRITOR DO ANO 2020, caro uruguaianense Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas.

Muito obrigado.

Academia Rio-grandense de Letras

PATRONOS

CADEIRA 14

Fontoura Xavier

Antônio da Fontoura Xavier nasceu em Cachoeira do Sul, interior do estado do Rio Grande do Sul, em 07 de julho de 1856 filho de Gaspar Xavier da Silva e Clarinda Amália da Fontoura Xavier. Estudou Humanidades no Rio de Janeiro de 1870 a 1873. Iniciou em 1874, no Rio de Janeiro, o curso de Engenharia, mas acabou não o concluindo. Em São Paulo, formou-se bacharel em Direito.

Jornalista desde a mocidade, fundou em 1876 A Gazetinha. Foi redator da Gazeta de Notícias, no Rio de Janeiro, e em 1884 de A Federação. Ingressou na carreira consular em 1885, servindo...

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