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Lançamento: "A Saúde dos Ventos", de Waldomiro Manfroi

26 de outubro de 2015


 
A BesouroBox lança no próximo dia 05 de novembro, às 18h, durante a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça de Autógrafos, o livro "A Saúde dos Ventos – A evolução da Ciência Médica e as origens da Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre", do escritor e médico brasileiro Waldomiro Manfroi.
Tendo como unidade narrativa a centenária Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre, criada em 25 de julho de 1898, Waldomiro Manfroi faz uma revisão da Medicina, desde os deuses gregos até a atualidade. Para dar uma conotação histórica aproximada, o autor registra a reflexão que fez o biólogo francês Jean Bernard, quando comparou os recursos médicos disponíveis através de décadas: “O médico que tivesse adormecido em 1900 e acordado em 1930 se surpreenderia com as transformações do mundo, porém, nem tanto com as mudanças da Medicina. O mesmo não aconteceria com outro médico que tivesse adormecido em 1930 e acordado em 1960. Este ficaria estarrecido com sua própria ignorância, diante do progresso alcançado pela ciência médica”.
Através de seu engenhoso narrador-personagem, o professor Humberto Leivas Barcelos, Manfroi brinda o leitor com as anotações contidas no Diário do Jornalista José Soares Lima – que serve ao leitor como um panorama do discurso médico, que se construiu em meio à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República, à evolução das ciências, aos processos de urbanização e à ascensão do pensamento Positivista, revelando os discursos de Eugenia e Higienismo, e os meandros para aceitar novas pesquisas em detrimento do que já havia sido consagrado por estudiosos da Grécia Clássica. “Havia momentos em que, se o pesquisador se rebelasse contra o Estado ou enfrentasse as normas da Religião, podia provocar sua desgraça. Vivia-se longe da época das forcas e fogueiras, mas a cautela era sempre recomendável. A rejeição de uma descoberta pelo poder dominante podia representar o atraso de dezenas ou centenas de anos de sua aplicação” (p. 81).
Em 260 páginas, o leitor é conduzido pelos nexos entre a ciência e a cultura da época, o que permite refletir, também, sobre como a intelectualidade brasileira, na passagem do século XIX para o século XX, estabeleceu suas narrativas sobre a construção identitária do país – a elite brasileira era a única classe social letrada, e, em sua maioria, profundamente influenciada pelas descobertas científicas, pelos costumes e pela paisagem das capitais europeias. Neste sentido, o romance histórico A Saúde dos Ventos desempenha um papel fundamental para a compreensão da Cultura Brasileira, reunindo personagens, relatos e documentos reais que, concomitantemente, dissecam a paisagem urbana, o imaginário social, a efervescência das Letras e da Música, a morte de Júlio de Castilhos, ocorrida em 1903, entremeando questões relacionadas à saúde com singularidades políticas da época, o trabalho dos médicos em Porto Alegre, com ênfase nos atendimentos prestados na Santa Casa de Misericórdia, e os resumos das teses dos médicos formados em 1904, com destaque para os trabalhos de Alice Maeffer.
O antigo Diário do Jornalista José Soares Lima encontrado pelo professor Humberto é o mote que denuncia a mestria com que Waldomiro Manfroi aguça a curiosidade e torna a leitura de uma temática tão extensa e densa, em algo agradável e reflexivo. “Eram os ventos que permitiam as comunicações e o comércio entre as nações” (p. 48). “Eram os ventos contidos na atmosfera que davam movimento à humanidade.” (p. 48). E é este vento, que expõe em um sopro quase um século de história. É esta metáfora, que ao longo dos capítulos vai mudando os cenários com a mesma urgência imposta pela industrialização e pelos processos de urbanização para “atender às novas exigências de uma nova sociedade: limpeza pública, transporte coletivo, moradias novas, iluminação, largas e amplas avenidas nos lugares dos infectos cortiços.” (p. 63).
Se a preocupação inicial do professor Humberto Leivas Barcelos (ou seria de Waldomiro Manfroi?), no primeiro capítulo, era chamar atenção para a necessidade de um novo olhar sobre a relação médico-paciente, sobre a saúde e a doença, e a urgência de uma relação interdisciplinar com os colegas de outras profissões, o autor cumpre de forma primorosa com seu propósito, pois, como afirma Dulcinea Santos em seu prefácio, após a leitura de A Saúde dos Ventos, “ficamos sabendo o que é Humanismo” (p. 07). “Quando o foco de interesse converge para os valores do século XXI, toma lugar o que Ferry define como um humanismo da transcendência do outro, o qual contempla a alteridade, sob a lógica da afetividade.” (p. 10).
 
Lançamento do livro "A Saúde dos Ventos”
Local: 61ª Feira do Livro de Porto Alegre
Data: 05 de novembro de 2015
Horário: 18h

Academia Rio-grandense de Letras

PATRONOS

CADEIRA 8

José Teodoro de Souza Lobo

José Teodoro de Souza Lobo nasceu em Porto Alegre, capital gaúcha, em 07 de janeiro de 1848. Estudou no Colégio do Caraça, Minas Gerais, de 1855 a 1861. De volta à Porto Alegre, passou pelo Seminário Episcopal, formando-se Engenheiro Geógrafo no Rio de Janeiro, pela Escola Central.

Foi redator do jornal carioca Estréia Literária em 1864 e, em 1873, assumiu o cargo de professor da Escola Normal de Porto Alegre, tendo sido vice-diretor da mesma. Foi, ainda, inspetor escolar do Estado do Rio Grande do Sul e autor didático e pertenceu ao Partenon...

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