Eu, Heino Kude nasci em Porto Alegre no dia 26 de abril de 1930, filho de Johann Wilhelm Heinrich Kude, cidadão de nacionalidade alemã e Lilly Maria Deppermann Kude, de nacionalidade brasileira. Tenho um bisavô brasileiro, Simão Kappel que era industrial do ramo dos móveis, major da Guarda Nacional, sempre ativo na política, mas sem alcançar grande projeção, mas amigo de Júlio de Castilhos. 
 
O pai queria emigrar inicialmente para a União Soviética que nos primeiros anos da década de 1920 procuraram atrair técnico alemães para desenvolver o país. 
 
Passei os primeiros nove anos de minha vida em Porto Alegre, morando longe da cidade no bairro Alto Petrópolis, onde nossa casa era praticamente a única do bairro o que resultou do fato do meu pai ter sido engenheiro da firma loteadora de quase todos os bairros do nordeste da cidade. Com sete anos de idade entrei no colégio de fala alemã, a Hilfsvereinschule, hoje Colégio Farroupilha. Com nove anos de idade empreendemos uma viagem para a Alemanha com passagem de volta já comprada, prevista para o mês de novembro de 1939. Desta viagem recordo de, ao sairmos do porto de Salvador, ver minha mãe chorar e dizer que agora estamos nos despedindo do Brasil. Chegamos em Hamburgo no dia 24 de agosto e fomos uma semana depois de trem para a cidade de Greifenberg na Pomerânea – da qual o pai partira em 1926 -  chegando ali no dia 31 de agosto de 1939. No dia 1º de setembro exatamente doze horas depois, eclodiu a pior guerra da humanidade. Ainda relembro que no primeiro dia, foi nos recomendado não ir para a rua. Mas depois, naquela região um tanto afastado do grande teatro da guerra, vivíamos, como se estivéssemos em plena paz. Para tanto contribuía o fato de a cidade ter apenas onze mil habitantes, encravada na principal região de produção agrícola da Alemanha.
 
Tão logo que se verificou que a guerra teria duração mais longa do que apenas um mês e não podendo o pai – de nacionalidade alemã – sair do país, fui imatriculado no grupo escolar da cidade. Devido ao fato de não ter mais tido aulas de alemão no ano em curso, os pais estavam preocupados com o aproveitamento escolar, mas que era normalmente muito acima da média. Eu então era considerado alemão - por ser filho de um alemão,segundo as leis daquele país - fui convocado em 1940 para integrar o grupo de jovens da Pré-Juventude Hitlerista em que inicialmente por ter nascido no Brasil, provoquei curiosidade. Uma das finalidades daquela juventude era derrubar barreiras que existiam entre as classes sociais, além de naturalmente ser-se apto para o serviço militar o que implicava em práticas esportivas. Sou muito favorável a se pertencer a uma juventude, mas ali reinava algo que eu chamaria - sem poder ser considerado original - de ditadura do proletariado. Os filhos das famílias mais pobres eram promovido aos postos de comando. Já então eu me perguntava como ficaria sendo tudo, se alguém como dono de uma firma contrata um operário que na juventude comandava nele, nem sempre de modo brando e democrático? Quanto ao esporte só eram festejados os que se destacavam no atletismo – com exceção das corridas de longa distância -  porquanto eu, um bom nadador – com diploma de salva-vidas aos treze anos de idade - era considerado um fiasco, o que dentro da visão de um jovem sabe doer. Assim, eu nem preciso levar em conta o aspecto político, para dar uma nota baixa à concepção dessa organização juvenil. 
 
Terminada a guerra, procuramos voltar ao nosso país, mas devido ao fato de muitos partidários do regime desejarem se refugiar na América do Sul, fomos submetidos a uma rigorosa investigação que fez com que apenas em 1947 voltamos. Já tendo então dezessete anos de idade, estudei para obter licença ginasial, - o antigo artigo 91 – com desoito anos de idade em 1948, de acordo com a lei. Desejei estudar psicologia depois de absolver o curso colegial. Mas as perspectivas profissionais eram péssimas. Então resolvi estudar para ser engenheiro civil, por ter pendores também para a física e a matemática. Formei-me em 1956, casando a seguir com a Srta. Suely Schreiner e tendo depois três filhos Sylvia Irene, hoje tradutora e intérprete, casada com o advogado Flávio Caminha Hanke e tendo uma filha Isabel. A segunda filha é Carin Maria, hoje engenheira civil e professora universitária, casada com o engenheiro civil Luiz Ralph Mora Schmitt e tendo uma filha Louise Caroline Schmitt. O filho Willy Walter é engenheiro de informática e casado com Denise Ramos Kude, tendo uma filha Júlia Irena Kude. 
 
Depois de me formar trabalhei na Rede Ferroviária Federal S/A. 
 
Pratiquei de jovem, o esporte do remo no Clube de Regatas Vasco da Gama de Porto Alegre, logrando ser campeão estadual, amador laureado da Federação Aquática do Rio Grande do Sul e campeão universitário brasileiro. Como veterano, agora como atleta do Grêmio Náutico União, logrei ser treze vezes campeão brasileiro, duas vezes vice-campeão mundial e vice-campeão da Áustria e dos Estados Undos da América e quarto colocado na primeira olimpíade de veteranos os Masters-Games de Toronto (Canadá) em 1985. No esporte do ergômetro de remo na faixa dos homens de setenta anos consegui ser sete vezes campeão mundial, dois desses, sendo recordes da época. Corri corridas a pé de longas distâncias, sendo em Porto Alegre então o segundo melhor de minha faixa etária.  
 
Em 1960 ingressei no Movimento Trabalhista Renovador presidido inicialmente por Fernando Ferrari e depois da morte dele em acidente aéreo, por Aron Steinbruch. Após a revolução de 1964 ingressei no partido de oposição, o MDB, integrando o diretório municipal do partido em Porto Alegre. Fui candidato a vereador em 1968 e 1972, não sendo eleito.
 
Escrevo desde os treze anos de idade, mas nunca fui estimulado pela família a fazê-lo. Sou bilíngüe – alemão e português. Tentei publicar desde 1958, na Alemanha, nunca tendo sido aceitos os meus manuscritos. Depois de me aposentar é que comecei a me dedicar à literatura, fundando com a poetisa Nina de Almeida, em 1993, o jornal cultural Tal&Qual, que circulou mensalmente até 2005. Um ponto alto, a meu ver, em meus trabalhos, ali foi ter podido entrevistar o presidente da República Federal da Alemanha Roman Herzog e entrevistar um membro da guarnição do navio da organização Green Peace.
 
No ano de 2007, para minha imensa honra, fui admitido na Cadeira 17 da Academia Rio-Grandense de Letras, tendo exercido o cargo de Secretário sob as presidências dos confrades Dr. Francisco Pereira Rodrigues e Sérgio Augusto Pereira de Borja.
 
Desde 2003, publiquei as seguintes obras: 
 
2003 – Será que Freud Explica? (ensaio)
2004 – Faust - Duzentos Anos Depois (romance)
2004 – Robert Guiskard (tragédia)
2005 – A Formiguinha da Democracia (romance)
2005 – Tiradentes (tragédia)
2005 –  Vida e Terra (drama) 
2006 – Dr. Charlatão (romance)
2006 – Será que Nostradamus Profetizou? ( ensaio)
2007 – O Vencedor Vencido  (romance)
2007 – Lutar ou Desistir (romance)
2008 – Primos ou Gêmeos? (romance)
2008 – Hamlet – Tres Versões e Três Visões da grande Tragédia (drama)
2009 – Professor do Interior (Biografia de um professor em escolas do interior na região de colonização alemã)
2009 – Apocalipse – Século 21 (poema e drama)
2009 – A Terceira Idade (romance)
2010 – O Deus do Materialista (ensaio)
2010 – Gregos e Troianos – Uma Guerra (tragédia)
2010 – O César da Cultura (drama)
2011 – Quem seria Deus
2011 – Salvemos Deus
2011 – Os Chinelões
2012 – Loucura Laureada
2012 – A Republiqueta
2012 – Hamlet-Rei
2013 – O Caso Édipo
2013 – Os Chinelões
2013 – Volta à Idade da Pedra
2014 – O Paraíso dos Párias
2014 – Spartacus