DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS

Franklin Cunha (17/07/2013)

 

Minhas saudações ao Excelentíssimo Senhor Dr. Sérgio Augusto Pereira de Borja, presidente da Academia Rio-Grandense de Letras.

Saudações ao Excelentíssimo senhor Dr. Avelino Alexandre Collet, vice-presidente da Academia.

Às digníssimas secretárias Sra. Maria Beatriz Cibils Becker e Sra. Zélia Helena Dendena .

Ao excelentíssimo secretário Sr. Heino Willy Kude.

Ao excelentíssimo diretor de patrimônio Sr. José Moreira da Silva.

Aos excelentíssimos Srs. Componentes do Conselho Fiscal:

José Édil de Lima Alves

Waldomiro Manfroi

Élvio Vargas

Aos demais acadêmicos e autoridades cujas presenças muito me honram e desvanecem.

Ao prolífico e qualificado escritor, poeta, historiador e grande lutador pela cultura de nosso povo, meu digníssimo proponente Alcy de Vargas Cheuiche.

Ao escritor Luiz Antônio de Assis Brasil, M.D. Secretário da Cultura do RGS e representante do Exmo. Sr. Governador Tarso Genro.

Ao excelentíssimo Sr. Roque Jacoby, M.D. Secretário de Cultura de Porto Alegre e representando do Exmo. Prefeito Sr. José Fortunati.

À minha esposa Iole da Cunha, aos meus queridos filhos Rodrigo e Paulo, às minhas estimadas noras Simone e Carol, aos meus amados netos Nychollas, João e Miguel.

Meu agradecimento ao meu prezado colega, brilhante médico e poeta, José Eduardo Degrazia pela dadivosa apresentação que de mim fez.

 

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Cabe-me em primeiro lugar traçar em breves palavras a intensa vida de meu patrono Dr. Benjamim Franklin Ramiz Galvão. Para tal, me valerei de sua biografia escrita por meu prestigioso colega médico e escritor Dr. Blau Fabrício de Souza.

Benjamim Franklin Ramiz Galvão nasceu no Passo do Couto, município de Rio Pardo em 16 de junho de 1846. Hoje o local em que nasceu leva o seu nome. Fez seus estudos no Rio de Janeiro, desde o primário na Escola Custódio Mafra, passando pelo Colégio Dom Pedro II até chegar à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro na qual se formou em 1868. Foi o orador da turma e, no ano seguinte, seguiu como médico-cirurgião do Exército para a Guerra do Paraguai. Ainda em 1869 assumiu como lente de grego no Colégio Dom Pedro II. Na volta do Paraguai, em 1870 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, cargo em que permaneceu  por doze anos. Foi professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro de 1873 a 1882. Em 1882 tornou-se Preceptor dos Príncipes Imperiais, função que exerceu até a proclamação da república. Em 1890 assumiu como inspetor geral da instrução primária e secundária no antigo Distrito Federal. Trabalhou na imprensa e foi redator secretário da Gazeta de Notícias desde 1894 até 1899. Nessa mesma época foi professor do Ginásio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1919 era o presidente do Conselho Superior de Ensino no Rio de Janeiro e, em 1920, tornou-se o primeiro reitor da Universidade do Brasil, coroando uma existência  devotada ao ensino. Conhecedor da língua grega da qual nos deixou um dicionário de grande valor. Além dos livros, ensaios e artigos que  escreveu, traduziu obras do grego e do francês. Recebeu no império o título de Barão de Ramiz Galvão, além de muitas comendas e condecorações. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Em 1928 assumiu cadeira na Academia Brasileira de Letras, sucedendo a outro médico, Fernando Magalhães, o criador da obsterícia moderna no Brasil. Também foi membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia de Letras do Rio Grande do Sul. Médico em tempos de guerra e de paz, professor de medicina e de várias matérias, tornou-se famoso como historiador, helenista, biógrafo, conferencista, humanista, administrador, tradutor e filólogo. Ramiz Galvão faleceu no Rio de Janeiro em 8 de março de 1938 com a idade de 91 anos.

 

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 Cabe-me agora, também com muito prazer e respeito falar do colega que me antecedeu na cadeira nº 9 desta Academia: Rovílio Costa (ou Frei Cândido de Veranópolis).

Con noantri o senza noantri il mondo girará stesso

Era assim, no “talian”, que trocávamos comentários,em geral críticos de minha parte,  confortadores e sábios da parte dele.  A epígrafe deste texto foi a propósito de um protesto que fiz sobre a falta de divulgação de um livro da autoria dele e da equipe da editora EST. No caso, foi “Povoadores de Antônio Prado”, trabalho de um fôlego imenso,  de mais de mil páginas sobre quase todas as famílias de minha cidade natal – inclusive a dos meus avós maternos – suas origens nas diversas regiões da Itália até a relação de todos seus descendentes, seu destino e localização posterior em todo o país.

Jorge Luis Borges, disse em certa entrevista que os prefácios, as oratórias de sobremesa e os necrológios são sempre elogiosos e nem sempre correspondem à verdade. Pois o que se sabe e se diz do Frei Rovílio são expressões extremamente elogiosas e fidedignas. O Frei foi um prolífico escritor e bibliófilo, dos maiores e melhores que nosso meio cultural conheceu.

Em sua biografia o Professor Luis De Boni, escreve que Rovílio Costa possuía vocação para editor. Quando seus amigos Martins Livreiro e Roque Jacoby se voltaram para a edição de obras sobre o RGS, ele que entusiasmara o Martins a tanto, aliviado comentou: “Que bom que o Martins e o Roque se dedicam a esses assuntos, porque assim poderei me dedicar mais à história da imigração”. E essa tarefa ele a cumpriu com extremas intensidade, dedicação e competência.

Eu o conheci à época em que Frei Rovílio trabalhou na antiga vila de São Luis, hoje município de Ipê. Nas férias em Antônio Prado, minha terra natal, caminhava até o seminário seráfico da vila, para bater papo com ele, trocarmos livros e ideias e  aproveitava para saborear os deliciosos  pêssegos, uvas e ameixas do pomar do seminário.

Posteriormente, nossos destinos divergiram e só fui encontrá-lo anos depois na editora do Antônio Suliani. Quando leu alguns textos meus, solicitou que escrevesse algo para o jornal Correio Rio-Grandense o que fiz com grande prazer. Lembrava eu, histórias ocorridas entre os colonos de Antônio Prado e por fim, numa série que publicou no jornal, escrevi um texto cujo título dado por ele era “ El pícollo italiano che porto dentro de mi “.

Na sua agitada vida intelectual devo mencionar os 20 anos que foi professor na Faculdade de Educação da UFRGS, atividade que sempre o orgulhou.

Frei Rovílio, algumas vezes tinha atitudes que seus colegas estranhavam. Uma delas era a de permitir a certas pessoas idosas, doentes, acamadas a se confessar por telefone. Quando admoestado, explicou: “Trata-se de um velhinho doente do interior do estado e que não gosta do padre local”. E acrescentou: “Você acha que Deus está preocupado que num caso como este, alguém que queira se confessar o faça por telefone?”.

Essas atitudes de voltar-se para os mais carentes, os mais necessitados de ouvir a palavra de Deus, eram tarefas que Frei Rovílio realizava com prazeroso evangelismo cristão. Dentro de seus ideais franciscanos, deu o melhor de si como sacerdote, foi acima de tudo um padre, um confessor caridoso e tolerante porque conhecia a condição humana a fundo e a encarava com piedade e amor.

Segundo o professor De Boni, o maior elogio feito a Frei Rovílio proveio de um grupo de moradores de rua que, ao saberem de seu falecimento, foram até a Igreja de Nossa Senhora do Líbano e disseram ao pároco, Monsenhor Urbano Ziles: “Padre, nós estamos muito tristes. Perdemos  nosso maior amigo”.  

Frei Rovílio Costa nasceu em Veranópolis em 20 de agosto de 1934 e faleceu em Porto Alegre em 13 de junho de 2009.

A seguir, anoto uma relação de 27 obras escritas por Frei Rovílio , na realidade uma  parte de tudo que escreveu em jornais, revistas , opúsculos, folhetos  e nas páginas do Correio Rio-Grandense que ele dirigia, editava, coletava textos e distribuía regularmente.

·  Psicologia da fraternidade religiosa, 1973;

·  Sociopsicologia, 1973;

·  Personalidade e ciência social, 1974;

·  Primado da pessoa na vida cristã, 1974;

·  Imigração Italiana no RS: vida, costumes e tradições, 1975;

·  Antropologia visual da Imigração italiana, 1976;

·  Descrição dos antecedentes da delinqüência juvenil em Porto Alegre, 1976;

·  Delinqüência juvenil: antecedentes, 1976;

·  Os italianos do RS, 1980;

·  Assim vivem os italianos, 3 v., 1982;

·  Práticas de comunicação, 1983;

·  Imigração Italiana no RS: fontes históricas, 1988;

·  Povoadores da Colônia Caxias, 1992;

·  Colônia Caxias: origens, 1993;

·  Colônias Italianas Dona Isabel e Conde d'Eu, 1991;

·  Povoadores das colônias Alfredo Chaves, Guaporé e Encantado, 1997;

·  Os capuchinhos do Rio Grande do Sul, 1996;

·  Povoadores de Cotiporã (2 volumes), 1998;

·  Raízes de Veranópolis, 1998;

·  Far la Mèrica, 1991;

·  Gli Italiani del RS, 1987;

·  La presenza italiana nella Storia e nella cultura del Brasile, 1990.

·  Duas Itálias, 2000;

·  História, estórias e poesias, 2003;

·  História e estórias, 2001;

·  Histórias, estórias e orações, 2003.

                            

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Meus amigos, acadêmicos, familiares e autoridades aqui presentes.

Cumprimento-vos como conterrâneos, vivemos na mesma terra, no mesmo lugar físico.

Como confrades, somos irmãos na mesma missão cultural

Como companheiros (do latim cum panis), compartimos o mesmo pão da solidariedade, da amizade e do amor pelos livros.

Como colegas, pois cultivamos o logos, a palavra, comungamos o prazer e a autenticidades do mesmo idioma que devemos lutar para mantê-lo como uma língua fecunda e viva. Enfim somos, segundo George Steiner, uma confraria de logocratas.

Em um de meus livros (A Raiz da Esperança, 2010, Editora AGE), propugnei por lutarmos pela manutenção dos idiomas, das línguas, das palavras e pelo correto significado das mesmas. Muito se tem realçado sobre o desaparecimento de etnias, de espécies animais e vegetais, mas pouca atenção tem se dado às perdas linguísticas e ao papel fundamental desempenhado pelos idiomas e suas respectivas culturas. Segundo David Crystal, linguista inglês, se os funerais linguísticos continuarem com a atual intensidade, os seis mil idiomas hoje existentes, dentro de um a dois séculos,serão reduzidos a somente uma centena ou menos.E, assim, perderemos um preciosíssimo acervo de nossa milenar e diversificada herança cultural que, na verdade, propiciou relevante contribuição para o atual estágio civilizatório da humanidade e, se isso acontecer, no futuro viveremos numa espessa  uniformização não só linguística como cultural e ideológica.

Esse é o sentido mais profundo de uma comunidade idiomática específica: o de ter uma imagem e uma visão peculiar do homem e do seu universo cósmico e mental. Por isso, quando uma língua se extingue, perdem-se milhares de anos de história do desenvolvimento cultural e da experiência bio-psico-social de todo um povo. E a uniformidade linguística e cultural que se prenuncia acabará obstruindo a diversidade de ideias e de visões do mundo E já se tornou um truísmo afirmar-se que na diversidade está a liberdade.

E se as diferenças de significados já se manifestam na grafia e nos conceitos de objetos concretos e singelos, o que ocorrerá naqueles voláteis e complexos conceitos que expressam a mais alta elaboração do pensamento humano tais como o bem, o mal, a liberdade, a opressão, o direito à vida e todos os juízos de valor no seu mais amplo sentido? Sabemos que uma comunidade idiomática se funda sobre a posse comum e consensual de um grande número de tais concepções e interpretações. E, precisamente porque esse consenso no significado e no simbolismo das palavras é percebido como natural e não como algo estranho, os povos se unem mais fortemente pela comunidade idiomática do que por um discurso ideológico de qualquer origem.  Os judeus, por exemplo, ao fundarem Israel, vindos de diversas partes do mundo, se uniram não pelas línguas de seus países de origem, mas na tentativa de criar unidade nacional, adotaram o hebraico que os judeus ortodoxos julgam ter sido a língua com a qual foi escrita a bíblia original, a Torá, seu livro sagrado.

Verifico que o emblema da Academia Rio-Grandense de Letras representa um livro sobre o mapa do Rio Grande. E isto, a meu ver, tem um profundo simbolismo. Não é um computador, vejam bem, é um livro. Sim, nós precisamos dos livros e os livros precisam de nós. Através  das letras, das palvras que compõem os livros, a humanidade evoluiu da barbárie para a cultura civilizada. Observem que quando algumas nações mergulham em tempos de intolerância, de violência e de injustiças, as primeiras vítimas são os livros queimados não em recintos fechados, mas em praça pública para todos ficarem cientes e cúmplices da destruição dos livros e das mensagens contidas neles.Fato de evidente simbolismo,  a mostrar por parte dos tiranos o perigo que os livros os expõem. Portanto, as funções das academias literárias, das oficinas de literatura, das feiras de livros são primordialmente as de proteger os livros de sua extinção, de sua queima e assim contestar os regimes ditatoriais, incultos, primários e primitivos.

Lembro, a propósito o livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451. Ambientado num regime totalitário no qual todas as informações eram monopolizadas pelo estado todo-poderoso que detinha o domínio completo dos meios de comunicação, principalmente da televisão e onde os livros eram queimados pelos bombeiros. Vigiava-se e perseguia-se quem tinha livros em casa e suspeitava-se de quem não possuía televisão. Na iminência de se perder toda a literatura, produto das culturas antigas e modernas, um grupo de cidadãos leitores e idosos, se refugiou numa floresta com a missão de cada um decorar os grandes obras literárias da  humanidade. Assim, um deles se tornou Shakespeare, outro Cervantes, outro Homero, outro Camões, recitando suas obras aos jovens com a esperança de que algum dia, no futuro,  desmoronasse  o regime ditatorial , inimigo dos livros e da cultura humana .

Pois, meus prezados acadêmicos: não está afastada a hipótese, aventada por alguns atentos observadores de que estamos a viver tempos paralelos ao romance de Ray Bradbury. Recentemente realizou-se em nossa cidade o Fórum Internacional do Software Livre e neste forum, a celebridade em computação Richard Stallman, formado pela Harvard e pelo MIT entre outras coisas declarou o seguinte:

“Eu não acho que a inclusão digital seja necessariamente boa. Depende do tipo de sociedade digital em que vivemos.Se é uma sociedade livre, que respeita nossa liberdade, então é boa. Se é injusta  e tirânica, como a Agência Nacional de Segurança dos EEUU, o povo estará melhor sem inclusão digital. Uma das ameaças à nossa liberdade é o software que controla os usuários, ou seja, o software que não é livre. O constante monitoramento digital de certos países é intolerável. Não devemos confiar nossos dados pessoais  aos ditos sites e nem usar os que exigem essas informações. Eu não uso celular porque é um aparelho que nos rastreia permanentemente”

E sobre o Facebook a ferramenta da moda: “O Facebook é uma ferramenta monstruosa de monitoramento pessoal. Eu imploro a meus amigos para que não a usem”.

E por fim, Stallman declarou: “O monitoramento  pessoal  que temos hoje nos EEUU e nos países que  adotaram a inclusão digital, é incompatível com os direitos humanos”.

E os livros? Será que, no futuro serão queimados e substituídos pelos computadores?

A leitura é um ato solitário, ninguém e nada interfere no ato de ler (a não ser a TV e o computador, se os temos em casa e no trabalho; vide as palavras de Groucho Marx: “a TV estimula minha cultura. Quando lá em casa a ligam, pego um livro e vou para meu quarto ler). Creio não ser uma atitude quixotesca das academias de letras o esforço para se  lutar contra a ditadura da imagem. As imagens da TV e do cinema nos atordoam pela rapidez, não nos permitem pensar ou pior,  apenas nos criam desejos e não nos deixam espaço para a imaginação. Não existe a ligação entre o simbólico, o real e o imaginário. Tudo nas imagens da TV é simbólico a criar um imaginário que não é real, que não é do interesse espiritual de quem a assiste passivamente.

Diferente das vanguardas culturais herméticas e elitistas, a cultura de massa da TV, do cinema e da internet, oferece novidades acessíveis a um público mais amplo possível e distrai a maior quantidade possível de consumidores. Sua intenção é divertir, é possibilitar uma fácil evasão acessível para todos, sem necessidade de prévias formações culturais. Esta baixa cultura de massas nasceu com o predomínio da imagem e do som em detrimento da palavra escrita e oral.

Este processo se acelerou incrivelmente com a revolução cibernética, com a criação das redes sociais e com a universalização da internet. Que agora nos vigia e controla a todos.

Todos nós temos muito o que falar sobre a importância dos atos de ler e de escrever. Ambos são construtivos e fundamentais para a consolidação da democracia e da civilização.

Quero finalizar com as palavras de Marcos Aguinis, escritor e psiquiatra argentino contemporâneo. Ele soube registrar em seus livros as agruras e os sofrimentos humanos e aqui transcrevo suas palavras como uma mensagem de otimismo a todos os presentes. Concordo com ele quando sintetiza sua mensagem de que

ESTAMOS CONDENADOS A LER E A ESCREVER

“As palavras que minha mente vai derramando sobre o papel se combinam para expressar ideias, gerar emoções, equilibrar meu psiquismo, comunicar-me com os outros, cumprir com um dever social, ordenar o mundo externo, proporcionar-me prazer. Também as palavras se combinam para ajudar a quem sofre, a quem se debate na confusão do mundo ou a fustigar a quem arrogantemente se julga dono da verdade. Combinam-se também para denunciar as misérias e as injustiças que padecem os seres humanos e para alimentar nossa imprescindível esperança ou abrir as comportas da alegria de viver. As palavras, enfim, são capazes de combinações infinitas para infinitos objetivos, o infinito que pode ser invadido e dilatado por elas.”

 

Meus amigos !

Nesta tarde, a presença gentil e atenciosa de vocês, me proporcionou um momento de rara felicidade.

Muito obrigado.