Patrono da Cadeira 25

(por Walter Galvani)

Não era saudável ser poeta romântico no século XIX, mas de certo modo era assim que se afrontava o “establishment” e se atingia a sociedade através da sensibilização e da comoção: morria-se moço, como Castro Alves, mas sabia-se muito e se alcançava rapidamente uma grande cultura e se conquistavam as ferramentas para brilhar.

Alberto da Costa Correa Leite não fugiu à essa regra de ouro. Nasceu numa família dedicada à literatura e ao jornalismo, como poderia ser o título desta breve nota sobre o patrono da Cadeira 25, onde cheguei em 1999, por obra e graça dos meus fraternos colegas. Como foi redator do “Correio do Povo” logo nos primeiros anos do jornal, senti-me ainda mais ligado a ele. Também eu tive este começo.

O meu patrono nasceu em Rio Grande, no dia 4 de setembro de 1871 e depois veio para Porto Alegre aonde veio a falecer na idade típica dos poetas e escritores do romantismo, no dia 2 de fevereiro de 1898. Com 27 anos.

Isso não impediu que deixasse uma obra apreciável e que fosse levado à nossa academia em sua fundação.

Seu irmão, Antônio da Costa Correa Leite Filho, um pouco mais velho, nascido em 1866, também fundador da Academia, tornou-se conhecido sob o pseudônimo de Mário de Artagão. Este se formou em filosofia na Alemanha onde aliás fez também os estudos primários; o secundário foi em Portugal e mais tarde tornou-se diplomata.

Alberto teve uma carreira mais modesta e regional, mas igualmente brilhante.

Primeiro foi empregado no comércio de Porto Alegre, silenciosamente. Depois entrou para o “Correio do Povo”. Era poeta e cronista. Pertenceu também ao Centro Literário de Porto Alegre e estreou, justamente no ano de fundação do grande jornal por Caldas Júnior (1895), com um livro de poemas, “Sarças Ardentes”, impresso na tipografia do grande matutino. Publicou, aliás, no “Correio”, durante dois anos, crônicas sob o pseudônimo de Quasímodo. Em 1897, publicou um segundo livro de poemas, com o título inspirado em Castro Alves: “Espumas do Mar”.

Em Rio Grande, sua terra natal, publicou valioso levantamento sob o título curioso de “Anuário Estatístico e Literário do RS”, em 1897.

Ainda no século XIX, em 1898, lançou “Na paz dos sonhos”, um livro de sonetos, estilo em grande voga na época. No ano seguinte, em Pelotas, terra de grande tradição e cultura, “Almanaque Popular Brasileiro” que é classificado como “Psicologia e Poesia”. Eis um bom casamento... Ele porém, já nos deixara. O poeta não veria suas publicações seguintes, uma vez que faleceu em fevereiro de 1898. Os livros continuaram saindo por obra dos amigos: “Voz Dolente”, também de sonetos em sua terra natal, 1901, já no novo século, (que ele não alcançou em vida), bem como o “Almanaque Literário e Estatístico do RGS”, no mesmo ano.

Como se vê, os almanaques estavam em moda.

A curta carreira de Alberto Correa Leite encerrou-se com “Flor de Neve”, também editado em Rio Grande, em 1901.

Até hoje é reverenciado como poeta de rara sensibilidade, mas seus livros somente são encontráveis nos valiosos acervos das bibliotecas públicas, de Pelotas e Rio Grande, ou, por muita sorte dos pesquisadores em algum “sebo”.