(Hilda Agnes Hübner Flores é historiadora, presidente do CIPEL e membro da ARL - Cadeira 20.)

 

Um jornal que do século XIX circulou na cidade portuária de Rio Grande, foi o Corimbo, muito especial por sua longevidade e porque de propriedade e direção feminina: Revocata Heloísa de Melo e Julieta de Melo Monteiro.[i] Circulou, de 1883 a início de 1944, quando a maioria dos jornais congêneres não emplacava o primeiro ano de vida.

 

Formato e periodicidade

O acervo mais completo do Corimbo, na Biblioteca de Rio Grande, não dispõe de exemplares dos dois primeiros anos, mas o número de jun./1885, informa que o semanário nasceu a 21.10.1883, com “formato de jornal”, tamanho folha de ofício. De 6.1885-9.1888 passou “revista” mensal de 16 páginas, tamanho meio ofício. De 2.1894-1.11.1904 circulou como jornal semanal de 4 páginas, com propaganda na última. De 20.2.1905-25.2.1910, foi “revista” quinzenal, de 4 ou 8 páginas. Após interrupção de tempo impreciso, circulou de 10.1913-31.8.1927 como jornal quinzenal de 4 páginas, a última das quais reservada para propaganda. Passou a mensal após a morte de Julieta (27.1.1928), oscilando de 1939-43 entre mensal e bimensal, já então acompanhando dificuldades inerentes à idade avançada de Revocata Heloísa de Melo, duas mulheres notórias, irmãs, ponteando dentre as poucas intelectuais da época.

 

As redatoras

Dirigido inicialmente por Revocata, desde 1.10.1898 as duas irmãs Mello constam como redatoras, utilizaram o Corimbo para editoriais, para correspondências com colaboradores do jornal, publicação de poesias e crônicas de sua lavra.[ii] Julieta faleceu em 1928 e em homenagem à companheira de 30 anos de redação, Revocata instituiu a coluna “Do meu diário de dor”, de evocação perene de familiares falecidos, mantendo até o ocaso do Corimbo o duplo cabeçalho: “Proprietárias fundadoras: Revocata Heloisa de Mello e Julieta de Mello Monteiro / Redatora: Revocata Heloísa de Mello”.

 

Época castilhista

O semanário nasceu em época do surgimento do positivismo entre nós. Júlio de Castilhos, entusiasta propagador, quando assumiu o governo do Estado em 1893, impôs os princípios positivistas ostentados na bandeira republicana: Ordem e progresso. Progresso a ser atingido pela industrialização e uma nova ordem moral a ser implantada com a inserção esdrúxula da mulher que, guindada à rainha do lar, só aí devia reinar pois, vulnerável aos sentimentos, não poderia se expor aos perigos do mundo exterior, do domínio do homem. Foi um duro golpe na caminhada intelectual feminina, iniciada de maneira imprevista no período farroupilha e ensaiada de leve nas décadas seguintes.

Entre as poucas intelectuais que ousaram reagir à limitação positivista, houve a rio-pardense AnaAurora do Amaral Lisboa. Processada e despronunciada, publicou Minha defesa, denúncia dos fatos de agressão, e mais tarde Preitos à liberdade, poesias de crítica mordaz a Júlio de Castilhos e ao presidente Floriano Peixoto, e de exaltação às lideranças da Revolução de 1893. Sua pertinácia, ao longo das décadas, ajudou a manter vivo o clima de belicosidade que redundou na Revolução de 1923. No Corimbo publicou artigos como educadora notável que foi. Para ela a escola era o

laboratório onde se opera a transformação do cérebro inconsciente em cérebro pensante. Em “A Escola e as criancinhas” escreveu: Entre os (...) mais grandiosos espetáculos que é dado apreciar no mundo moral, nenhum se compara com o de uma escola primária cheia de crianças, ainda pequenas, entregues todas aos trabalhos escolares, agindo, não ao impulso do medo, mas espontaneamente pelo desejo de aprender (Corimbo, 20.5.1905).

 

Filosofia do Corimbo

Tendo por meta cultivar as letras, as ciências e a luz, as redatoras procuraram manter neutralidade ante acontecimentos históricos importantes. A abolição da escravatura, em 1888, foi acolhida como um ato humanitário, mas a proclamação da República, como monarquistas convictas, passou despercebida. A sangrenta Revolução de 1893 mereceu crônicas “neutras” de Julieta, como “Paz” e “Os heróis”, em 1894, mas após a morte de Castilhos houve duradouras manifestações de simpatia aos revolucionários. A I Guerra Mundial, que na Europa trouxe o exemplo alentador das mulheres induzidas a ocupar o lugar dos homens tombados. Na nossa Revolução de 1923 as irmãs Mello não se manifestaram e na de 1930 publicaram exaltação ao herói Getúlio Vargas. O voto feminino mereceu matéria favorável entre 1918-28, quando transitavam projetos no Congresso Nacional. Quando foi concedido, em 1932, Revocata estava inconsolável com a perda de Julieta e não se pronunciou; nem tão pouco em 1937, quando da implantação do Estado Novo que suprimiu o voto feminino. A II Guerra Mundial encontrou Revocata idosa e enfermiça, omissa a questões sociais. Em 1943, no informativo acerca das atividades literárias, Revocata, como num canto de cisne, anunciou o surgimento, em Porto Alegre, da Academia Literária Feminina (hoje septuagenária), que teve Julieta entre suas patronas, e logo mais, também Revocata, falecida em início de 1944.

 

Imprensa

O Corimbo trabalhou no sistema de permuta de jornais e anunciou os exemplares recebidos, mostrando uma imprensa abundante, mais variada que duradoura. Exemplificando apenas com os jornais recebidos de julho a setembro/1885: O Operário, O Brasileiro e Democracia de SP; A Revista e O Correio de Santos, SP; A Gazeta de Taubaté, SP; A Folha Paulistana (abolicionista); O Século, A Violeta, O Povo, A Estação (jornal de modas) e A Semana do RJ; O Regenerador da BA; O Pitanguy de MG; O Rio Branco de Pirassununga; Diário de Bagé, O Porvir de Livramento, Gazeta do Norte de S. Maria, O Pharol de Cachoeira, Discussão de Pelotas; O Campeão Lusitano; Mercantil; Athleta; O Ganganelli. Ao longo dos anos quantificaram centenas de periódicos do país, de Montevidéu, Buenos Aires, Lisboa e Itália. Igualmente muitos livros de autores nacionais e estrangeiros foram anunciados.

 

Outras seções

Sucedem os necrológios laudatórias de vultos importantes, como o político Venâncio Aires; o literato Vítor Hugo; o poeta Valentim da Costa do RJ (1885); Manoel Luis Osório (1887); Dr. Arão da Rocha Miranda, jovem preso político de S. Paulo (1894); o médico da revolução/1893, Ângelo Dourado, autor de Voluntários do martírio (1909); a correspondente de Buenos Aires, Agostina Guizzardi e a teatróloga Anália Franco (1909); o homeopata Ferdinando Martino, que submeteu sua noiva a 24 itens de total submissão como condição para o casamento (1901), e tantos outros.

Desde a virada do século XX para o XXI, referendaram o 1o de maio, dia do operário, com artigos e poesias.

A língua esperanto recebeu promoção ao longo de anos.

A moda mereceu seção duradoura, embora não contínua.

Em 24.9.1906 Revocata reporta pela primeira vez aos vultos revolucionários de 1893; com eles, também os líderes farroupilhas recebem homenagens.

A seção variedades informa sobre eventos sociais (eleição da miss Brasil/1930, Yolanda Pereira), Dia das Mães (1923), vida de clubes, viajantes, conselhos de saúde...

 

Instrução x educação

A temática feminina foi preocupação prioritária do Corimbo, com dezenas de artigos das redatoras e de colaboradores/as. As várias linhas de pensamento indicando caminhos, permitem acompanhar a evolução do tema.

A educação se processava no recinto do lar, tarefa afeta à mãe, que prepara os filhos homens para se tornarem cidadãos prontos a acudir à pátria em perigo e capazes de prover o sustento da família, enquanto a menina era educada para as lides domésticas, repetindo o papel materno. Já a instrução era tarefa sistemática da escola, com ensino diferenciado para meninos e meninas. As irmãs Melo reivindicavam instrução primária para as meninas, com vistas a seu preparo doméstico, como esposa zelosa e mãe educadora, embora elas próprias fizessem do jornalismo meio de vida. Artigo de out./1886 vê a instrução como

a tempestade revolucionária que derroca privilégios egoísticos (...) ilumina as míseras choupanas dos infelizes e muda-lhes a condição.

Marieta, em “A educação da mulher”, defende uma posição de meio termo entre a mulher boa dona de casae a educação literária (jun./87), enquanto C. A. de S. considera a educação intelectual da mulher como indeclinável obrigação social (26.7.1896). Ignez Sabino[iii], pernambucana radicada no Rio de Janeiro, coloca a mulher “Na arena”, face ao novo papel que lhe estava destinado: estudar para desenvolver seu talento e ter acesso à imprensa. Consonante com seu tempo, identifica saber com moral:

A mulher que cultiva as letras, o belo, tem mais susceptibilidade, sente a alma mais propensa ao bem, tornando-se assim aliada da Moral, que cicia ao ouvido a virtude, que eleva o amor, fazendo-a honesta pelo espírito (Corimbo, 24 e 31.5.1896).

Marinha Noronha, conservadora, idealiza a mulher como um barco solidamente construído - leia-se instruída, virtuosa e forte - para resistir intacta às tempestades da vida e poder orientar os que a rodeiam. A maior paga são os filhos-bons-cidadãos que ela forma (1.11.1905).

Turmalina, de Santos, em 6.4.1907 aponta o avanço emancipacionista de algumas advogadas da Fac. de Direito de Pernambuco, entre elas Maria Coelho da Silva e Myrthes de Campos que advogavam no Rio de Janeiro e Maria Augusta Meira de Vasconcelos Freire, sustentando polêmica na imprensa sobre a emancipação da mulher.

Maria Bodin, em “Solidariedade humana”, acusa a sociedade por não aceitar o trabalho da mulher, ensejando que ela resvale, às vezes por uma questão de fome, para a vida cortesã da qual a perfídia humana não a deixa sair:

Elas (as cortesãs)são como nós, virgens e esposas, vítimas da triste situação em que a sociedade coloca a mulher, negando-lhe o direito de exercer  um grande número de profissões (fechando-lhe)os estabelecimentos científicos, institutos industriais, comerciais e outros... (Corimbo, 1.7.1908)

Alvarenga Fonseca, em “A mulher na vida pública”,1.1917, vê a necessidade de abertura do leque profissional feminino, pois, havendo muita professora poucas serão as alunas e a remuneração ínfima... Pior que as professoras, as donas de casa:

as profissões domésticas são positivamente miseráveis, pois costurando, cozinhando, lavando ou engomando, (a mulher)pouco mais conseguirá que o absolutamente indispensável para comer e não andar despida; talvez nem dê para pagar o teto...

José Oititica, em “O surto feminino”, em 30.4.1919, aponta as múltiplas barreiras impostas ao desenvolvimento da mulher:

Vem o padre e ameaça: não ousais estes apelos, ide rezar à igreja, confessai-vos, não vos deixeis tentar de Satanás. Vem o positivista e exorta: lugar da mulher é no lar, quer se de mente pouca, submissa ao maridinho e ao sacerdote, muito recatada, muito vergonhosa, muito não me toques, lendo o catecismo e ensinando a filharada. Vem a bisavó e arenga: moça que sai sozinhaé sirigaita; de onde veio essa moda de agora, mulher advogada!

Algumas operárias de Rio Grande aderiram à greve dos operários de 1919, sendo recriminadas. Hermengarda as defende:

a operárialuta que nem homem, sofre as mesmas intempéries, os mesmos afanosos labores, as mesmas privações e no entanto é acremente censurada quando toma lugar nas fileiras dos companheiros de lutas para reclamar de seus interesses(15.6.1919).

Mariana Coelho, portuguesa radicada em Curitiba, onde dirigiu educandário, traz as propostas da chamada “Escola Nova”: na ignorância, que aos homens convém manter por temor da concorrência, a mulher está fadada a ser escrava do marido ou de algum parente...Fundamenta seu artigo com estatísticas dos avanços femininos atingidos em outros países (“A fraternidade e a escola”, 31.7.1920, 15.8.1920 e 31.1.1923).

 

A dor

As redatoras do Corimbo eram sentimentais. Revocata foi noiva duas vezes[iv]. Julieta chora a perda de parentes falecidos em dezenas de sonetos, como este:

Para mim é sempre dia de finados / Porque a minha alma dia e noite chora (...) / Quem tem, como eu, dormindo enregelados / Mãe, pai, esposo, irmãos idolatrados. / Como não ter a morte na lembrança?! (Corimbo, 2.11.1913)

A morte de Julieta, em 27.1.1928, desencadeou uma fase de depressão, saudosista, com prejuízo para discussões mais abertas.A minha semana da Paixão não tem páscoa, é interminável, escreve Revocata em 2.1929. Reúne as poesias esparsas da irmã em Terra Sáfara e espalha a obra entre amigos. Institucionalizasua tristeza criando a coluna “De meu Diário de Dor”, onde despeja sentimentos doridos perenes pela perda de Julieta e mais parentes. Intensifica matéria sobre heróis tombados, culto positivista aos vultos cívicos: os vivosserão sempre e cada vez mais governados pelos mortos. Como numa compensação religiosa, reforça a “Coluna Maçônica”, criada na década de 20.

A portuguesa Ana de Castro Osório chama atenção para o conformismo e acomodação femininas em artigo sobre “A Mulher da raça portuguesa”:

A mulher latina, na sua quase totalidade, acha-se muito bem na meia servidão em que vive, e que lhe dá a garantia de uma relativa ociosidade (...) preguiça da vontade e do pensamento. (Corimbo, 25.2.1910).

Em fev./1929, o artigo “A educação” vê a criança como inteiramente submissa ao adulto: liberdade só à medida que cresce e se desenvolve. Reforça a hierarquia do professor,

a quem cabe conciliar a liberdade do discípulo com a necessidade de submetê-lo, de constrangê-lo à obediência às suas ordens.

Saber e moral continuam vistos como sinônimos; a ignorância é causa de vícios e crimes que aumentam a população dos cárceres e sobrecarregam a sociedade (dez./1932).

Apesar de tudo, o Corimbo acompanha os progressos de seu tempo. Em fev./1933 surge a primeira abordagem pedagógica quando V. S., em “Aprender e ensinar”, reporta às dificuldades decorrentes da diversidade de 45 alunos em sala de aula; os recursos pedagógicos auxiliam a aproveitar interesses comuns, como a curiosidade, para obter sucesso na difícil questão do ensino. No mesmo ano, autor anônimo condena “A ortografia” portuguesa imposta por decreto, questão que a seu ver interessa só à Academia Brasileira de Letras.

Em dez./1935 o Corimbo reporta ao Círculo Brasileiro de Educação Sexual, presidido por Dr. José de Albuquerque, autor deEducação sexual pelo rádioe Exame pré-nupcial - dois temas de envergadura no trato das novas concepções da problemática social, pertinente principalmente à mulher.

N. Souza Pinto vê “O ensino da História” como disciplina formadora, que introduz o aluno no mundo social e político, enquanto em “Educação Moderna” se acusa o cinema como um dos fatores da corrupção moderna, pois permite

que se ensine tudo às crianças, tanto o que é proveitoso como o que é nocivo.

Castro e Silva questiona “O que é a inteligência humana?” (jan./1942). Glória Déa condena a máquina de escrever por não transmitir (numa carta) os sentimentos da alma como o faz a letra cursiva... (21.10.1942).

O número de nov./1943, tido como o último constante na Biblioteca de Rio Grande, cedeu lugar ao número de jan./1944, esse sim, o derradeiro, pois Revocata faleceu em 18.2.1944. O conteúdo espelha a matéria limitada e repetitiva do Corimbo, no seu ocaso: em “Alta remembrança de patriotismo” Revocata ocupa a primeira página de nov./1943 com láureas ao chefe federalista de 1893, Gumercindo Saraiva, Símbolo de Liberdade dos federalistas; “Desvanecedora homenagem” é o preito anual ao aniversário do Corimbo (21 de outubro); “Do meu Diário de Dor” é o desabafo mensal da saudade, que Revocata complementa com outro artigo, relatando sua visita ao túmulo de Julieta, a 2 de novembro; a “Coluna Maçônica” do mês, de proselitismo, é assinada por Apolônia Juziella. Há ainda um necrológio, um soneto de Luiz Emílio Lobo e outro de Revocata, que abaixo se transcreve, pois trata-se do canto do cisne da estressada mulher que, assim como Julieta e as mulheres em geral, jamais se deram a liberdade de confessar a idade documental porque os valores da época requeriam a mulher mais jovem para que melhor o marido mantenedor a pudesse moldar a seu gosto e a seus valores. Revocata igualmente não se deu o direito de gozar férias da direção do Corimbo, que desempenhou em caráter perpétuo:

                          VELA

Vela branca onde vais, qual o teu porto / Onde vais, nesse mar escapelado? / Alma perdida procurando um horto, / Levas, quem sabe, a nódoa do pecado!... / Vela branca seguindo mar fechado, / Mar soturno, nos ventos absorto, / És um trapo à mercê do pego irado, / Asa quebrada, de albatroz já morto! / Simbolizas o adeus, a despedida; / Vais dos mares, fantasma na corrida, / Na corrida, sonhando o azul dos céus... / Vela, alveja na treva das tormentas! / Vais irrompendo as ampliações cinzentas, / Como estrela, do mar nos escarcéus!

 

CONCLUINDO

Revocata faleceu nonagenária, a 18.2.1944, e o Corimbo deixou de circular depois de seis décadas de depoimentos que constituem documento histórico e literário de alto valor. Mesmo tendo prioridade literária, o jornal deu testemunho de importantes modificações ocorridas na sociedade, testemunhando mudança de regime político, o progresso da ciência, o dinamismo entre as classes sociais, a evolução do ensino-educação e a luta pró emancipação feminina. Esta, em meio a avanços e recuos, marcou à época do ocaso do Corimbo, o surgimento de Faculdades acessíveis à mulher, como meio insofismável de preparo profissional que induz à emancipação civil e econômica.

 

Sobre o assunto leia mais, da autora:

 

Corimbo & educação. In Palavras. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1997, p. 61-68

Corimbo e feminismo. In Continente Sul Sur. Porto Alegre: IEL/Corag, 1998, p. 245-258

Corimbo x Educação. In RS: Educação e sua história. Porto Alegre: Plátano, 1998, p. 43-52

Corimbo e instrução. In Presença literária/1998. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1998, p. 71-78

Corimbo e feminismo no Brasil, in Faces de Eva. Lisboa: Universidade Nova, 2000, p. 71-88

Corimbo.In Letras de Hoje. PUCRS, Pós-Grad./Letras, 2001, p. 183-88

      Imprensa feminina: Corimbo, 1883-1943. InIX Seminário Nacional Mulher & Literatura. Belo Horizonte: UFMG, 2001 (CD-Rom)

A sociedade castilhista e o Corimbo. In A Era Castilhista. POA: Ediplat, 2009, p. 95-104

Corimbo... In A Era Borges. Porto Alegre: Ediplat, 2010, p. 37-46

            Ainda o Corimbo. In A Era Flores da Cunha. Porto Alegre: Ediplat, 2011, p. 53-64

O jornal Corimbo. In Jornada de Estudos Literatura Brasileira e memória literária. PUCRS, Pós-Graduação de Literatura, 18.8.1998

O Corimbo. In Seminário Internacional de História da Literatura. PUCRS, Pós-Graduação de Letras. 5.10.1999

A época do jornalista João de Deus D. Mutti vista através do Corimbo. Promoção: Prefeitura Mun. de D. Pedrito, RS, 16.3.2001



[i]Revocata(Porto Alegre, 31.12.1953-Rio Grande, 18.2.1944) e Julieta (Porto Alegre, 21.10.1955-Rio Grande, 27.1.1928) eram filhas do comerciante João Corrêa de Mello e da poetisa Revocata dos Passos Figueiroa, sobrinhas da poetisa Amália dos Passos Figueiroa e netas de Manoel dos Passos Figueiroa, proprietário, no período farroupilha, dos jornais Correio da Liberdade e Idade de Ouro. Manoel, um dos três irmãos, era também poeta. Ambas colaboraram no Almanaque Literário e Estatístico do RS e emLa Fonde de Paris. Em conjunto publicaram: Coração de mãe/1911 (drama encenado), Berilos/1911 (drama encenado), Mário (drama). Revocata foi redatora do Diário de Pelotas e colaborou no jornal A Mocidade, na Rev. do Partenon Literário/1874, O Combatente de S. Maria. Publicou Folhas errantes/1882, RJ (poesia) e Grinalda de noiva (drama).

Julieta, irmã de Revocata, ambas jornaistas, poetas, pessoas cultas e conservadoras. Julieta redigiu a rev. Violeta/1878-79, colaborou no Almanaque Popular Brasileiro/1897, em A Tribuna do Povo, Interrogação, Tribuna de Montevidéu, Pátria Ilustrada de Buenos Aires,Almanak de Senhoras de Lisboa. Publicou: Prelúdios/1881 (poesia),Oscilantes/1891 (sonetos), Alma e coração/1898 (contos), Tabernáculo (versos), Noivado no céu (drama encenado em Porto Alegre)e O segredo de Marcial (drama encenado em Rio Grande).

[ii]Julieta foi colaboradora assídua. No Corimbo de jun./1886 retrata a irmã com este soneto: Heloisa. É franzina, alta, elegante, / Olhos castanhos, tristonhos, / Coração meigo, anhelante, / Alma que vive de sonhos. / Lábios formosos, rosados, / Fronte gentil, delicada, / Dedos compridos, nevados, / Faces de cor desmaiada. / Escreve versos e prosa, / Já produziu um volume / E nunca a vi ociosa. / Mas... não sabe o que é ciúme! / Embora um tanto amorosa / Jamais sentiu gume.

[iii]Mulheres ilustres do Brasil, de Ignez Sabino (Salvador, 1953-RJ, RJ,1911), foi reeditada pela Ed. Mulheres, Florianópolis, 1996. Ignez colaborou com o Corimbo de 1896-1908. Veja-se a respeito “Ignez Sabino”, in Presença Literária/1997, Porto Alegre: Nova Dimensão, 53-64

[iv]Cfe correspondência de Revocata à amiga Delminda Silveira, escritora catarinense (xerox gentileza da amiga Zahidé Muzart, cruz-altense proprietária da Ed. Mulheres, sediada em Florianóplis).